Mulambada,
Estive ausente por muitas rodadas
e essa ausência é plenamente justificada. Não aguentava mais ver um bando de
come-dorme desfilando preguiça em campo, não aguentava mais tanta falta de
jogadas, não aguentava mais ver chutões a ermo e sem utilidade, não aguentava
mais não ver um meio de campo, não aguentava mais ver dois laterais
ineficientes, não aguentava mais bolas alçadas sobre a área do adversário sem
efetividade, não aguentava mais tantos passes errados, não aguentava mais um
ataque que não fazia gols; resumindo, não aguentava mais não ver futebol.
E resolvi tirar férias disso
tudo, pois nem a paixão pelo Maior de Todos foi suficiente para aguentar as
últimas rodadas. Confesso que nesse interim pensei em abandonar a porratoda e
iniciar um processo de repressão de meus sentimentos ao Flamengo. A intenção era deixa-lo em
banho-maria por uns tempos para ver se tomava tenência e se aprumava de vez e
assim voltar ao menos a ser um bom competidor e ter trajetória normal nos
certames de maior importância.
Mas não deu!
Existe uma força maior que me
empurra e me faz não só acompanhar como torcer fervorosamente pelo Mais Querido.
Segui-lo mesmo que de soslaio e/ou nas piores situações não é sacrifício
nenhum. Não é atoa que quase que diariamente visto Vermelho e Preto nem que na simples
tarefa de levar Boris, meu fiel cão, para esvaziar.
Chova ou faça sol, antes ou
depois de uma vitória ou derrota, lá estou na rua, na praia ou sei lá onde,
muito bem vestido com o Manto Sagrado.
Fui ver a Copa das Copas.
Como poucos de vocês, gosto muito
de futebol e vi nesta recém findada Copa do Mundo uma boa oportunidade para
revê-lo em toda a sua magnitude, sob os pés mágicos de vários consagrados
craques, como também gratas surpresas.
Vi surgir excelentes goleiros o
que mostra o quão ofensivas foram as partidas.
Na fase de grupos onde os riscos
são menores e a lógica costuma prevalecer eu vi uma Holanda magnífica dar um
sacode memorável na então campeã assim como minha favorita, a Alemanha, aplicar
uma sova na seleção do então recém eleito melhor do planeta. Vi uma Costa Rica
sair do ostracismo para ser a primeira colocada do chamado Grupo da Morte. Vi
chegarem as Oitavas uma simpática e eficaz Colômbia, duas africanas agora de
respeito, uma Suíça corajosa e uma recém formada Bélgica; assim como ví
alijadas desta fase seleções consagradas como Inglaterra, Itália e as já
mencionadas Espanha e Portugal.
Vi o Brasil passar aos trancos e
barrancos “evoluindo” com seu já manjado futebol no estilo europeu dos anos 70
e 80, tendo como principais atributos, para sofrimento daqueles que fizeram
história, baixar a porrada e os chutões para frente.
Nas oitavas a qualidade do jogo
caiu. Usando o lugar comum, o medo de perder fez sucumbir a vontade de vencer e
muitos jogos foram decididos com raros gols nos minutos finais, na prorrogação
ou pênaltis. Apesar disso, alguns, foram bem disputados como Alemanha e
Argélia, França e Nigéria e Bélgica e Estados Unidos.
Os poucos gols, prorrogações e
decisões por pênaltis também foram a tônica das Quartas e assim seriam nas Semi
não fosse o sacode que levamos da Alemanha. Não vou tecer comentários sobre o
vexaminoso massacre, muitos já o fizeram na época e pouco mais há a
acrescentar.
O pouco que tenho a dizer é
que o jogo me fez entender como seria uma partida entre o Flamengo da década de
80 contra o Flamengo atual.
Um time vestindo e honrando o Manto nº
1 com jogadores como Raul ou Zé Carlos; Leandro ou Jorginho, Marinho e Mozer ou
Leandro e Edinho; Junior ou Leonardo; Andrade, Adílio e Zico ou Andrade, Ailton,
Zinho; Nunes e Lico ou Bebeto e Renato Gaucho
O outro? Ora o outro seria esse
bando que vemos desonrar o Manto faz tempo.
Mesmo sendo o primeiro jogo em
que os Alemães vestiram o Manto Sagrado, não foi por isso ou desde então que
passei a torcer por eles. Já vinha fazendo isso desde o início e provo com meu
texto escrito em 28 de maio de 2014, veja em:
Trata-se de um longo e
esclarecedor texto que mostra o motivo para esse ato, que os menos atentos
chamam de traição à Pátria.
Hehehe! Só rindo desses pobres
coitados.
Mas foi vendo o desfilar do Manto Sagrado
alemão que bateu uma imensa saudade do original.
Veio a “honrosa” decisão de 3º e
4º lugares e novo vexame.
A Holanda que desde 1974 vem
apresentando boas equipes, obtendo excelentes resultados e que para mim deveria
ser uma das finalistas, aplicou-nos um sonoro 3 x 0.
Seus jogadores cansados devido as
batalhas anteriores. Jogaram economizando forças e conseguiram seus gols nas 3
ou 4 vezes em que aumentaram o ritmo de seu jogo. Não precisava mais do que
isso.
Aqui também não vou tecer
comentários, pois muitos já o fizeram e pouco mais há a acrescentar.
Veio a final e para sorte dos “New
Patriots” a Alemanha saiu vencedora e conquistou com sobras a Copa das Copas.
Imaginem se a campeão fosse a Argentina?
Durante esses dias, as poucas
notícias que chegavam informavam que havíamos feito contratações. Não sei quantos,
seus nomes, suas origens e atributos, mas ouvi dizer que entre eles há um tal
de Canteros meio campo de origem, acho que, paraguaya. Com exceção a Romerito e
com muita boa vontade Reyjes não lembro na história do futebol deste belo país
outro meio de campo oriundo do país da pirataria cuja técnica tenha validado
esta contratação. Mas como bem disse o filósofo: “Não há como explicar o
inexplicável.”; quem sabe não estou redondamente enganado e como fez com o
mediano time da Alemanha o Manto Sagrado não transforme esse rapaz em craque
de bola?
Considerando que para nós as 9
primeiras rodadas não valeram de porranenhuma, enfim vai começar o Campeonato
Brasileiro, então resta-nos aguardar a próxima quarta feira para ver se com
esse mês de pré-pré-temporada alguma coisa mudou.
Saudações!