22 maio, 2015

NÃO DA MAIS PARA AGUENTAR


Mulambada,

São alguns anos que acompanho o Maior de Todos. Precisamente desde 8, quando meu finado pai me levava ao Maracanã para assistir não só aos jogos do Flamengo como do América, Vasco, Fluminense e Botafogo. Não foram raras às vezes em que chegávamos cedo para a preliminar entre outros menores. Ele gostava de futebol e queria me passar esse vício.

Eu adorava. Nas idas conversávamos sobre as perspectivas, dos jogadores que eu ia ver e da festa da torcida. Na volta a resenha era sobre tudo o que havia acontecido. Algumas vezes ele me levou ao vestiário outras ao gramado. Ele era jornalista, tinha suas prerrogativas.

Íamos uma vez por ano a São Paulo visitar parentes e lá o Pacaembu era nosso destino nos sábados ou domingos, na maioria das vezes para ver o Corinthians de Rivelino, time do meu primo. Foi assim que me simpatizei por essa agremiação, mas as últimas que culminaram com a “aquisição” do Itaquerão me deixaram com nojo.

Foi assim até me tornar independente e começar fazer esse programa com amigos. Meu pai tinha o gosto apurado e já nessa época uma ponta de desilusão pelo esporte que começava a ruir. Não foi raro ele dizer:

“Isso não é mais futebol!”

Eu já era um bom Rubro-Negro quando se iniciou a década de 70. Ainda tive o privilégio de ver excelentes times como o Internacional de Falcão e Carpegiani, a máquina tricolor de Rivelino e os últimos suspiros de Pelé, Tostão e Gerson, entre outros.

Acompanhei os claudicantes primeiros passos de Zico, Geraldo e demais membros da constelação de craques que se anunciava a vestir o Manto Sagrado. As primeiras vitórias, os primeiros títulos assim como o consequente crescimento de uma Nação que já era enorme.

Daí a História é conhecida de todos. O mundo tornou-se pequeno diante de nosso gigantismo e foi brilhantemente conquistado como nunca fora antes; nem depois. E ainda hoje textos são escritos narrando a elegância desta conquista.

Outros muitos títulos foram conquistados, mas com o passar dos anos eles foram rareando.

A qualidade do futebol piorava a cada minuto jogado, mas eu persistia, ainda vivia boas emoções. Não foram poucos os títulos: Cariocas em profusão, três Copas do Brasil e os dois últimos Brasileiros alimentavam meu vício, mesmo que esses títulos entremeados por apresentações medíocres (aqui no sentido real da palavra).

Eu vi todos eles ao vivo e a cores e ainda era feliz.

Assim segui acompanhando o Mais Querido mesmo a razão prevendo um futuro tempestuoso devido as diversas más administrações que se sucediam. Eu tinha a esperança de que algo maior poderia surgir do nada e virar o jogo em prol do meu Flamengo.

E à quase três anos uma corrente de Flamengos como eu conquistou o poder. Essa história também já é conhecida. Tornei-me Sócio Torcedor logo depois. A austeridade no controle financeiro foi a deixa para esperar dias melhores e ainda é a única esperança. Eu concordo.

Mas já não frequentava os estádios. Minha paciência havia se esgotado.

A qualidade tornara-se tão baixa que não via mais sentido em me deslocar altas horas da noite, sabendo que ia voltar mais tarde ainda para ver nada que me desse ao menos alento. Mesmo assim eu ainda vi in loco as últimas quatro partidas de nossa última conquista nacional em cima do Genérico do Paraná.

Depois disso, nunca mais pisei em um estádio. Nunca usufrui dos benefícios de ser Sócio Torcedor.

Passei a assistir aos jogos no conforto de meu lar, bebendo uma cerveja com amigos e filho ou as vezes só, largado no sofá da sala ou ainda no botequim da esquina com a galera.

Eu precisava de uma válvula de escape. Criei esse blog para juntar duas coisas que gosto muito, escrever e Flamengo.

Não me divertia tanto quanto. O prazer tornou-se aborrecimento mesmo nas vitórias que foram diminuindo.

E a mediocridade foi mais forte. Sem muito o que dizer, para não me tornar repetitivo deixei de postar.

É latente que o esforço da nova diretoria em manter as contas equilibradas e os salários em dia não está sendo correspondido por aqueles que o recebem.

Não posso acreditar que esses ditos profissionais treinem de terça a sábado, joguem no domingo e não consigam evoluir.

Com raríssimas exceções, é um tal de chutão pra frente, infindáveis cruzamentos sobre a área dos adversários sem nenhuma efetividade. Os incontáveis passes laterais, muitos para trás, sem objetividade...

Entra jogador novo, sai jogador velho e o cenário não muda. A mediocridade está instalada no Flamengo como um câncer incurável.

E olho para os lados, em busca de uma solução e vejo que os demais clubes brasileiros se encontram na mesma situação. Alguns um pouco melhor. Mas quando chega a hora “H” são derrotados por timecos de terceira da Bolívia, Paraguai, Equador, etc.

A gota d’água foi assistir ao último jogo. Estávamos diante da potência do nordeste do país, o portentoso Sport Recife, que não faz muito tempo chafurdava na 3ª divisão brasileira.

Foram quase 80% de lixo. As disputas acirradas faziam dos ditos profissionais assemelhar-se a gladiadores. Um festival de mau-caratismo traduzido em faltas absurdas. A bola, coitada, era chutada de um lado para o outro sem objetivo claro. Conquistar a vitória faz tempo, deixou de ser o objetivo principal. Agora destruir as jogadas do oponente e evitar a derrota é o objetivo. E como ninguém mais joga porranenhuma, não há apenas um em campo com mínima lucidez para mudar a história da partida, o jogo perde atratividade.

Saiu o 2º gol dos caras eu pedi a conta. Fui embora.

No dia seguinte vi que o empate havia sido conquistado. Eu fiquei imaginando como isso tinha sido possível. Até agora não sei e nem vi o vt para saber.

Não deixarei de ser Flamengo isso é impossível, mas deixar de fazer algumas coisas para ver isso que vocês erroneamente chamam de futebol eu não vou mais fazer.

O que conheço por futebol é algo muito diferente disso que está aí. Nem na Europa se joga o que se chama de bom futebol. O de lá só se sobressai porque o que se joga aqui é lixo.

Não faz muito tempo e pouco se falava de “Champions League”. O que tínhamos aqui superava e muito o que tinha lá. Hoje o de lá é a coqueluche.

Neguim fala do Campeonato Espanhol, do Alemão, etc. Campeonatos como esses têm aos montes por aqui. O mineiro, o gaúcho e outros mais com apenas dois times grandes disputando o título. Mas também temos o Brasileiro, o maior e mais disputado do mundo que hoje, diante da escassez técnica, tornou-se uma porcaria.

Sei que um timaço ainda não é possível. Sei que, se continuarmos nesta austeridade econômico-financeira esse dia chegará, tanto que não deixei de ser sócio torcedor. Eu acredito que honestidade e contas em dia são os insumos para se construir uma estrada sólida e longa, mas não posso me sujeitar a perder meu tempo vendo esse bando em campo.

Não posso gastar tempo e mais dinheiro, correr riscos e perder horas de sono para ter apenas 20% de prazer e no final do jogo esse prazer se traduzir em um empate mixuruca arrancado a fórceps em cima do pequenino Ixport usurpador de títulos.

Gol da Alemanha!

Não quero muito. Exigir? Nem pensar. Bastaria, como bom Rubro-Negro que sou, que esse bando honrasse o Manto. Eles são dos poucos no país que têm boa estrutura de treinamento e o principal, salário EM DIA. Deveriam comer grama nos treinos e grama e terra nos jogos e nos proporcionar melhores momentos do que estes que se atrevem a nos oferecer.

Saudações.


08 maio, 2015

E ACABOU!


Mulambada,

Enfim acabou a pré-temporada.

Não foi muito boa para nós como no ano anterior, mas deu para ver que se continuar assim passaremos mais um ano na mediocridade.

Mediocridade que, em se tratando de futebol brasileiro nela estar é um péssimo lugar para ficar.

Mas também é onde a maioria estará sendo assim, não correremos grandes riscos o que, levando-se em consideração os últimos anos, é uma tremenda evolução.

Nesta pré-temporada ganhou, na minha humilde opinião de que se não for o Flamengo qualquer um serve, quem mereceu. Não tinha o melhor time, mas um bom e em evolução técnico, uma rapaziada a fim de alguma coisa e um cão de guarda de respeito.

Durante a primeira fase do certame, claudicaram como todos, mas jogaram melhor os últimos e “importantes” jogos.

Foi justo?

Não acho. Porque se há uma justiça divina o vencedor deveria ser aquele mais bem administrado, sem atitudes antiesportivas e bla, bla, bla. Mas como o futebol é uma caixinha de surpresas, precisou a volta de pessoas não muito afeitas ao esporte jogado no campo e sob regras claras, para que após 12 anos de surras homéricas levarem uma tacinha para ajudar a diminuir o eco que soa em sua sala de troféus.

Se dentro de campo foi uma chatice, fora dele foi vergonhosamente movimentado. Era um tal de punir quem falava mal de uns, de punir quem defendia o cumprimento de contratos firmados, de punir quem defendia uma melhor distribuição financeira, etc.

Eram como crianças, filhinhos de mamãe, fracas que sem capacidade de se defender civilizadamente recorrem à violação de direitos ou a violência para fazê-lo.

Direitos constituídos há muito na Constituição Nacional foram usurpados sob as barbas de muitos e estes nada fizeram para manter a ordem. O Carioqueta mais parecia uma republiqueta sem vergonha da América do Sul, Central, África ou adjacências do que uma instituição séria a ser respeitada.

E ninguém foi ao menos cutucado pelos órgãos do Direito. Por muito menos esses mesos órgãos aparecem para dar pitaco onde não devem; ilustrando o cenário de incoerências em que vivemos.

Nos campos a chatice, vez ou outra, era quebrada pela violência e conivência daqueles que deveriam puni-la no ato. A arbitragem uma vergonha que por seus “atos” perdia seu respeito tornando-se alvo cada vez mais fácil e fraco dos animais fantasiados de jogadores.

A proliferação de botinudos é cada vez maior o que torna o futuro do esporte incerto. Há muito que futebol é o que menos se joga nos campos do país, muito menos aqui em terras Cariocas.

A crise é tanta que outro dia, em uma escola me estarreci ao ver e ouvir um garoto com seus 12 anos cantando e gesticulando efusivamente uma musica que pela letra tinha provável origem em uma torcida organizada, que dizia algo como:

“Vai pitbull, vai pra cima ...”

Ou seja, não se exalta bons jogadores, craques de bola nem pensar, agora são os raçudos, os xerifões e seus pares que são os bambambans.

Não é a toa que tomamos de 7 x 1 e depois 3 x 0, que no agregado (palavra da moda) formam o trágico 10 x 1.

E ... gol da Alemanha!

Quanto a nós, Flamengos, apesar do excelente trabalho que os Azuis vêm fazendo fora das quatro linhas, no quesito contratações a coisa está meio devagar. Mas a culpa não é só deles. Faz tempo que estamos precisando de reforços. Pontuais, concordo, mas com a escassez de gente que trate a bola com o mínimo de decência, fica complicado contratar com qualidade.

Prejudica essa ação a ainda falta de dinheiro. Baseado nisso, tudo indica que, mesmo estando na mediocridade ainda cortaremos um belo dobrado esse ano.

Espero sinceramente estar errado, mas ...

Se formos seguir os passos do nosso time de botões o futuro é promissor.



E ... gol da Alemanha!

Que venha o Brasileirão e seja o que Deus e São Judas Tadeu desejarem.

Saudações!