Mulambada,
Faz mais de um século que homens
como Vavá, Rubens, Perácio, Dida, Reyes, Doval, Rondinelli, Zico, Junior,
Andrade, Adílio, Petkovic, e poucos outros nos enchem de orgulho com sua
técnica e/ou raça.
Seu amor que escorre em forma de
suor e lágrimas é o combustível que transforma uma simples camisa preta e
vermelha no Manto
Sagrado, que muitas vezes carregou nas costas pernas de pau sem
futuro fazendo os mover céus, terras e mares em prol de nossas incontáveis
conquistas.
Vestir o Manto Sagrado não é uma ação
corriqueira para qualquer sem vergonha que trança as pernas ao tentar conduzir
uma bola de futebol. Não só bola de futebol como também bolas e/ou ferramentas
de outros esportes com os quais o Maior de Todos enche sua imensa galeria de
troféus.
É claro que vemos quase que
onipresentemente Mulambos muito bem vestidos pelos quatro cantos do universo e
isso mostra o quão imenso é nosso invejado, mas nunca igualado Flamengo.
O que falar desses iluminados?
Nada!
Mas daqueles que, independente de
motivo, amador ou profissional, resolvem fazer vida deste ato, poucos o fizeram
com humildade e honradez.
Poucos o fizeram de fato.
E Léo Moura foi um deles. Nunca
foi unanimidade no que diz respeito a técnica, mas não se pode negar que entre
os altos e baixos de suas performances o saldo é positivo. É claro que o
momento de escassez técnica ajudou bastante e Léo Moura foi dos poucos a tornar-se
síntese do velho ditado que diz:
“Em terra de cego quem tem olho é
Rei!”
Fator importante nas diversas conquistas
desses últimos 10 anos, não podemos esquecer que Léo também esteve presente nos
piores momentos de nossa História. E não há dúvidas de que sua presença foi
crucial para que esses momentos não fossem piores.
Foram diversos Carioquetas, duas
Copas do Brasil, um Brasileiro e várias outras tacinhas de menor expressão.
Assim como duas eliminações vexaminosas da Liberta e duas quase quedas para a
Divisão dos Impuros.
Mas não foi só (?) isso que o fez
merecer a deferência de um jogo de despedida. Outros melhores e mais bem
sucedidos em títulos não o tiveram.
Sua identificação com a Nação foi
grande, mas outros também se identificaram e até mais.
Portanto, mesmo considerando
todos os prós de sua belíssima carreira defendendo o Mais Querido, não consigo ver o
motivo desta deferência. Talvez os dez anos ininterruptos o que hoje em dia é
raríssimo, seja a razão; não sei...
Pouco importa então, pois em
época de escassez de futebol e ídolos não há outro melhor que Léo Moura para
vestir esse papel.
Portanto, isso o faz merecedor de
todas as homenagens.
Obrigado e vida longa ao Capitão!
Saudações!
