05 março, 2015

MERECIDO?


Mulambada,

Faz mais de um século que homens como Vavá, Rubens, Perácio, Dida, Reyes, Doval, Rondinelli, Zico, Junior, Andrade, Adílio, Petkovic, e poucos outros nos enchem de orgulho com sua técnica e/ou raça.

Seu amor que escorre em forma de suor e lágrimas é o combustível que transforma uma simples camisa preta e vermelha no Manto Sagrado, que muitas vezes carregou nas costas pernas de pau sem futuro fazendo os mover céus, terras e mares em prol de nossas incontáveis conquistas.

Vestir o Manto Sagrado não é uma ação corriqueira para qualquer sem vergonha que trança as pernas ao tentar conduzir uma bola de futebol. Não só bola de futebol como também bolas e/ou ferramentas de outros esportes com os quais o Maior de Todos enche sua imensa galeria de troféus.

É claro que vemos quase que onipresentemente Mulambos muito bem vestidos pelos quatro cantos do universo e isso mostra o quão imenso é nosso invejado, mas nunca igualado Flamengo.

O que falar desses iluminados?

Nada!

Mas daqueles que, independente de motivo, amador ou profissional, resolvem fazer vida deste ato, poucos o fizeram com humildade e honradez.

Poucos o fizeram de fato.

E Léo Moura foi um deles. Nunca foi unanimidade no que diz respeito a técnica, mas não se pode negar que entre os altos e baixos de suas performances o saldo é positivo. É claro que o momento de escassez técnica ajudou bastante e Léo Moura foi dos poucos a tornar-se síntese do velho ditado que diz:

“Em terra de cego quem tem olho é Rei!”

Fator importante nas diversas conquistas desses últimos 10 anos, não podemos esquecer que Léo também esteve presente nos piores momentos de nossa História. E não há dúvidas de que sua presença foi crucial para que esses momentos não fossem piores.

Foram diversos Carioquetas, duas Copas do Brasil, um Brasileiro e várias outras tacinhas de menor expressão. Assim como duas eliminações vexaminosas da Liberta e duas quase quedas para a Divisão dos Impuros.

Mas não foi só (?) isso que o fez merecer a deferência de um jogo de despedida. Outros melhores e mais bem sucedidos em títulos não o tiveram.

Sua identificação com a Nação foi grande, mas outros também se identificaram e até mais.

Portanto, mesmo considerando todos os prós de sua belíssima carreira defendendo o Mais Querido, não consigo ver o motivo desta deferência. Talvez os dez anos ininterruptos o que hoje em dia é raríssimo, seja a razão; não sei...

Pouco importa então, pois em época de escassez de futebol e ídolos não há outro melhor que Léo Moura para vestir esse papel.

Portanto, isso o faz merecedor de todas as homenagens.

Obrigado e vida longa ao Capitão!


Saudações!