Demorei novamente certo? É que fica complicado, o cenário não muda, então fica difícil deixar de ser redundante. Sendo assim, tentando não ser repetitivo, vou usar palavras de outros que julgo importantes para o bom andamento das coisas Flamengas.
Nosso, por enquanto técnico, após o jogo proferiu as seguintes:
(...) O cruzeiro é melhor que o Flamengo de hoje. Então a dificuldade que tivemos foi em função disso. (...)
Ora caro Mano, não é novidade o Cruzeiro de hoje ser melhor que o Flamengo. Não só o Cruzeiro, como as Galinhas Mineiras, a cachorrada de Soldado Severiano e outros poucos. Mas isso nunca significou muito problema para nós, tanto que só esse ano, vencemos todos eles, alguns mais de uma vez.
(...) Os jogadores se doaram ao máximo. (...)
Também é sabido que não foram poucos os momentos em que, da mesma forma que David sacudiu Golias, apequenados e desacreditados sobrepujamos forças temporariamente maiores.
Qualquer manual que conte, nem que por alto, nossas inúmeras Histórias, tem entre suas frases essas sábias palavras.
"Deixou chegar..."
Foram muitos os momentos de glória obtidos com muita raça, suor e pouco talento.
(...) Fizeram o que pedi taticamente. (...)
E era para ser diferente?
Fizeram e o resultado não veio. Nesse caso, nota-se que o problema não é insubordinação, ausência de vontade ou algo parecido, o problema é que falta técnica.
Falta muita técnica a esse bando.
Há uns bons anos que o cenário é esse. Mesmo com os vários Tri-Campeonatos do Carioqueta, a Copa do Brasil de 2006 e o Brasileiro de 2009.
Mas nem sempre foi assim. Apenas durante a minha existência, fora a década de 80 quando eram todos craques, tínhamos ao menos um pouco de técnica em nossos times. Já desfilaram com o Manto Sagrado jogadores como Paulo Henrique, Reyes, Zanata, Dionísio, Rodrigues Neto, Toninho, Doval, Jayme, Filol, Dijalminha, Paulo Nunes, Marcelinho, Amoroso, Nélio, Marquinhos, entre outros que ajudavam o time a errar menos e fazer ao menos algumas boas jogadas e a soma dessas duas coisas se transformava em vitórias e alguns títulos; poucos é verdade, mas nunca tivemos a preocupação de um dia chafurdar na zona dos impuros.
(...) Mas tenho que fazer escolhas e caminhar na direção para que sejam duradouras. Não posso ir e voltar a todo momento para tirar a tranquilidade. (...)
Ok Mano, diante disso só posso deduzir que você já esteve procurando a solução, pois o que mais fez desde que chegou foi levar surpresas às escalações. Se não me engano, você só repetiu o time uma vez em quase todo um turno e isso leva intranquilidade ao elenco.
Não se esqueça que a Nação, quem banca quase que a "porratoda" não anda nada tranquila.
Ao não achar soluções, agora encontra-se perdido e prestes a se desesperar pela certeza da falta de quem o ajude em campo a fazer sua tática funcionar.
(...) Me parece que tecnicamente não estamos bem. Vimos jogadores com capacidade técnica errar passes que chegam a ser surpreendentes. São de alta qualidade técnica e em momentos de relativa simplicidade estão escapando. (...)
Gostaria de saber onde se encontram esses "com capacidade técnica" ou os "de alta qualidade". Francamente, não os tenho visto em campo.
Acho que estou sintonizando o canal errado.
É primário que para se atuar em qualquer profissão é necessário um mínimo que esta atividade exige. Você não precisa ser um expert, mas precisa conhecer o básico da função que vai exercer. É preciso saber fritar um ovo, fazer arroz ou cozinhar batatas para ser um chef; é preciso saber desenhar e colorir para ser um designer; costurar para ser um estilista, saber Geometria Descritiva para ser arquiteto e assim por diante.
Ter esse conhecimento pode não fazer de vocês os melhores, mas poderá fazê-los seus coadjuvantes.
No futebol não é diferente, é necessário ao menos saber executar um passe reto, matar a bola e correr com ela. Essas e outras poucas coisas são os chamados fundamentos, que como o nome diz, são fundamentais para o cara ao menos participar do par ou impar do rachão.
Os caras que estão lá no Ninho do Urubu não sabem nem a metade deste básico. A quantidade de passes errados, de bolas mal matadas e outras asneiras é enorme. Arrisco a afirmar que no último jogo, se tivéssemos acertado metade do que erramos ainda iriam sobrar muitos erros, mas teríamos vencido o jogo, pelo menos empatado.
(...) Minha preocupação no momento é exigir qualidade, melhorar tecnicamente. Não estamos encontrando problemas técnicos absurdos. (...)
Taticamente não somos essa coca cola toda, mas concordo que já mostramos algum conhecimento prático nesta área. O time joga compacto tanto defendendo quanto atacando (quando tenta). Contudo persiste uma dúvida. Não sei se sua noção de tempo é a mesma que a minha ou sua noção de qualidade que o é. Tenho visto os jogos e por mais que procure não noto sequer mínima melhora na qualidade do futebol jogado. Coisa que deveria ter acontecido após tantas horas de treinos e jogos.
Será que mais da metade de um ano é pouco para você ver que esses caras ou não treinam fundamentos ou são ruins por DNA?
Sabemos que o mercado, praticamente fechado, está escasso de coisa aproveitáveis que poderiam dar tranquilidade a nossos corações tristes. Sendo assim, meu caro Mano, você tem um grande problema nas mãos e deve ganhar direitinho para resolvê-lo.
As variáveis que te atormentarão, até que descasque esse abacaxi são:
19 jogos à jogar;
01 "elenco" de qualidade inferior à treinar;
23 pontos à conquistar para da Zona de Rebaixamento escapar.
Ao seu lado, muito pelo seu curto, mas bom passado do que pelos seus belos olhos azuis, você tem a Nação e a Mística do Manto Sagrado. É muito se comparar com os outros, todos menores que se dizem nossos rivais. Então, saiba tirar proveito dessa enorme vantagem.
Para ilustrar o que escrevi no parágrafo acima, peço licença para usar parte do texto de Arthur Mulhenberg, postado outro dia:
(...) Ser Flamengo é muito maneiro, mas é também uma grande responsabilidade. (...)
(...) Mas o rubronegrismo é avaliado com base nos filhos, e não nos pais: não basta ser educado como Flamengo para sê-lo, também é preciso criar os filhos como tais. Em outras palavras, para todo homem, Flamengo ou não, o mais importante não é o que ele recebe, mas o que transmite. Portanto, a maior responsabilidade de um homem é transmitir o seu saber à geração seguinte. (...)
(...) Está provando que é um pai exemplar. Que sabe ensinar a ser Flamengo como os grandes mestres. Ele percebeu que não dá pra ensinar ninguém a ser Flamengo sem prepara-lo para as bandas e rasteiras que o próprio Mengão às vezes (de vez em sempre) nos aplica na mais pura crocodilagem. E o mais importante, mostra pro filho que essas bandas não impedem que gritemos cada vez mais alto.
O Flamengo é o papai. É bonito, é forte, pega mamãe e tudo. Mas o Flamengo é também o cara que dá banda na gente. E o quanto antes tomarmos conhecimento desse fato, melhor pra nós. (...)
Entendeu Mano?
Saudações