Mulambada,
Muitos,
mesmo que contemporâneos não entendiam e ainda não entendem o motivo de certas
coisas. Alguns conseguem perceber que há uma diferença, mas não a essência do
sentimento, a grandiosidade de feitos e o que isso tudo representa para nós, milhões
de favorecidos e felizardos que têm nessa história muito a agradecer e
respeitar.
Esse
texto não tem a pretensão de explicar o inexplicável, mas sim prestar uma singela homenagem àquele que merece mais que isso.
Até porque os fatos aqui resumidos são a mais clara e simples representação da verdade que, só não vê quem não quer.
Escrever essas palavras é o mínimo e fico feliz em poder fazê-lo. Entretanto
se, além disso, eu conseguir fazer com que mais alguns poucos que sejam,
entendam a grandiosidade disso tudo, ficarei mais feliz ainda.
Diz
a lenda, que um tal de Papai Noel mora há séculos, no Polo Norte. Um velhinho
que, junto com seus assistentes, os duendes, passam o ano fabricando brinquedos
e enchendo o saco da Mamãe Noel, enquanto aguarda as proximidades de dezembro
quando recebe os milhões de cartinhas de crianças pidonas.
Elas
escrevem ter se comportado muito bem durante o ano, blá blá blá e que por isso
merecem receber seus tão desejados presentes de Natal.
O
Bom Velhinho, que não é bobo nem nada sabe muito bem que apenas poucas delas
são reais merecedoras e só a elas atende, mas os pais das demais, para não
deixa-las tristes correm às lojas atrás dos desejos dos filhos; mimando-os.
Com
isso, milhões de crianças de várias nações permanecem mal educadas a espera do
dezembro seguinte.
Todavia,
há entre essas uma Nação
privilegiada. Pode-se afirmar sem medo de errar que é a Nação mais feliz do planeta. A única cuja brilhante trajetória
conquistou a prerrogativa de ter dois Natais por ano.
A
origem dessa bela História data de 15 de novembro de 1885 e teve o início de seu ápice em 1953,
mais precisamente 03 de março.
Nesse
dia, lá pelas bandas de Quintino, um subúrbio do Rio de Janeiro, repetindo 25
de dezembro de 0001, nasce um menino que iria trazer alegria para milhões em
torno do planeta.
Ainda
criança, passava as tardes nos campinhos do bairro ensinando aos seus
discípulos e admiradores a melhor maneira de se tratar uma bola de futebol. Na época, já vestia o Manto.
A
fragilidade de seu corpo não o impedia de, com ela, desenhar linhas imaginárias
retas ou curvas deixando seus admiradores boquiabertos, marcadores tontos ou
algumas vezes estatelados no chão.
Mas
ainda eram poucos os que o conheciam.
Encontraram-no
e o levaram para as divisões de base daquele que viria a ser o Maior Clube de
Futebol do Mundo.
Foi
lá que continuou a formar seu caráter e em um trabalho inédito no âmbito
futebolístico a estrutura física do corpo que iria ajuda-lo a seguir o seu
destino.
Foram
árduos anos de trabalho físico, técnico e muita perseverança.
E
eles foram passando e quando na casa dos 20, começou a atuar entre os
profissionais. Foram atuações discretas que nada lembravam as quando jogava
entre os novos.
Eram
os anos 70, mais precisamente 1971 e em seu primeiro jogo entre os grandes, foi
dele o passe para o segundo gol (Fio Maravilha) na vitória sobre os filhos da
Península Ibérica.
O Cara já começou chacoalhando aqueles que hoje são nossos maiores fregueses e vices.
Atuou
em apenas duas partidas de sua primeira conquista, o Campeonato Carioca de 1972
e nem aparece na foto.
Zagallo
confiava muito no seu talento, mas só foi se firmar entre os profissionais em 1974.
Exemplo
a ser seguido e citado até hoje, ele era o último a sair de campo nos dias de
treinos. Ficava cobrando faltas tendo como referência uma camisa pendurada no
ângulo superior de cada lado da trave. Não é atoa que bater faltas virou sua
temida especialidade.
Gradativamente,
junto com outros companheiros, foi adquirindo confiança e sua cada vez maior
identificação com o Manto Sagrado
fez seu futebol aparecer conquistando fãs também entre os adversários.
Logo
vieram as demais conquistas, e entre elas antigos tabus iam sendo quebrados.
Uma freguesia aqui, outra acolá e o Flamengo
consolidava incontestavelmente sua condição de Mais Querido, no país.
Companheiros
que haviam sido adquiridos em outras paragens foram sendo substituídos por mais
qualificados que como ele, cresceram no âmago Rubro-Negro.
Formaram
mais que um time de futebol, mais que uma seleção, mais que uma família da qual ele era o
líder inconteste. Juntos eram quase imbatíveis e quando se deparavam com uma rara
derrota sabia-se ser apenas o acaso ou um capricho dos Deuses para tentar dar
ânimo aos certamees.
Mas não eram só alegrias, em 26 de agosto de 1976, perdeu um de seus melhores amigos e nós, um tremendo craque de bola. Geraldo Cleofas Dias Alves ou Geraldo Assoviador. Com 22 anos, uma das maiores promessas da época. Sofreu um choque anafilático quando convalescia de uma cirurgia para extrair as amígdalas.
Com
certeza o ocorrido contribuiu para a perda do que poderia ser o nosso primeiro
título nacional.
Mais
quatro anos foram necessários para conquistarem o Brasil. Era 1980 e em dois jogos memoráveis o Urubu fez canja, o galo mineiro virou galinha, mostrando quem
era o real dono do terreiro.
Logo
depois foi a vez das Américas, em três batalhas épicas cuja violência, de
intensidade nunca vista, desferida pelos oponentes tecnicamente incompetentes,
fora vencida pela união de técnica e Raça
possível apenas àqueles que possuem sangue Rubro-Negro
correndo nas veias.
Não
demorou muito para que, em 1981, conquistassem o mundo.
Possuíam
superioridade técnica incontestável devido a qual foi necessário apenas meio
jogo para a conquista ser consumada em um 3 x 0 que deixou os súditos da Rainha
boquiabertos.
Suas
qualidades eram incomparáveis, incontestes e faziam dele superior. A Nação o fez ídolo entre muitos outros na
História, o maior de todos eles.
Em
1982 e 1983, junto com seus amigos, mais duas conquistas nacionais.
Porém,
para desgosto da Nação foi vendido
em 1983 e com o dinheiro obtido, aproximadamente 2 milhões de dólares, dizem,
adquiriram o terreno onde hoje está sendo erguido o Ninho do Urubu. Menos mal pelo objetivo, mas que foi triste não se
pode negar.
http://www.youtube.com/watch?v=6lDyuWHhTnQ
Foi
como se Pilatos lavasse as mãos pela segunda vez.
Foi
para a terra das massas sacudir as massas de “tifiossis” ávidos por tempero de qualidade.
Fez
com que um inexpressivo time de segunda divisão, como muitos que temos por
aqui, se tornasse o segundo melhor daquelas paragens.
Vice
artilheiro, jogando menos 6 partidas que
o artilheiro da temporada, deixou saudades nos italianos:
"Para nós firulanos, Zico tem o mesmo significado de um motor de Ferrari colocado dentro de um fusca. Sentimo-nos os únicos no mundo a possuir um carro tão maravilhoso e absurdo."
Voltou
no segundo semestre de 1985.
E em
seu primeiro jogo, fez um gol. Flamengo 3 x 0 no bahia.
Logo
depois, um animal, totalmente desprovido de recursos técnicos o atingiu de
forma bruta e violenta causando torções nos dois joelhos e no tornozelo esquerdo, contusão na cabeça do perônio esquerdo e profundas escoriações na perna direita.
Teve de se submeter a três cirurgias no joelho esquerdo e a longo período de recuperações devido as consequentes problemas musculares.
"Decidi tentar, pois não admitia a ideia de ser obrigado a abandonar os campos. Queria um dia parar com o futebol e não o futebol parar comigo."
Para voltar a jogar, teve de suportar até oito horas diárias de musculação, lutando para conseguir novos centímetros para a perna esquerda atrofiada pelas contusões.
Em 1986,
na estreia de Sócrates contra o pessoal lá de LaranGayras, atuou de forma
exuberante e fez 3 gols na vitória de 4 x 1.
Sagrou-se
pela última vez, Campeão Carioca e no ano seguinte, 1987, conquistou seu último
título nacional; o Penta Campeonato Brasileiro do Mais Querido. Aquele que os invejosos tentam desmerecer pela simples
e pura incompetência de obtê-lo; no campo e dentro das regras.
Também
no segundo semestre, mas de 1989, ele se despediu dos campos brasileiros.
Com
uma atuação magistral, novamente o pessoal de LaranGayras foi a vítima de uma
sonora goleada, 5 x 0.
"Era tudo o que eu queria. Terminar com um gol e justo do jeito que eu mais gosto: de falta."
Convidado,
aceitou e passou quatro anos (1991 à 1994) no Japão ensinando os baixinhos a
jogar futebol.
Ajudou
a construir toda a estrutura que hoje existe na terra do Sol Nascente e por lá
também é ídolo nacional.
Não
é difícil encontrar uma relação das conquistas obtidas com seus mais de 700
gols e dessas cito as que considero mais importantes:
-
Campeonatos Cariocas - 007
-
Campeonatos Brasileiros - 004
-
Taça Libertadores da América - 001
-
Campeonato Mundial de Clubes - 001
Mais
importantes por terem sido as que nos fizeram a Nação mais feliz do mundo.
Outras
histórias foram parte de sua História. E de todas estas Histórias, a que ele ajudou a construir pelo Mais Querido é sem dúvidas a mais bonita.
Para
felicidade geral da Nação, voltou à
Gávea como dirigente em 2010, mas foi vergonhosamente caluniado por um qualquer
que, apoiado pela fraca e covarde direção da época em um dos atos mais sujos já visto, fez com que ele abdicasse ao cargo.
O
fato de não ter conquistado uma Copa do Mundo pelo Brasil é tido como um
demérito por muitos, mas os inteligentes citam Calazans:
“Azar
da Copa!”
E eu
acrescento que essa é mais uma exclusividade e honra que só os Flamengos têm; um título Mundial Conquistado por Zico.
Não
é para qualquer um.
Entretanto,
mesmo com imagens, histórias, relatos e inúmeras conquistas há os que tentam
denegrir a imagem indelével deste cidadão antes de tudo Rubro-Negro de corpo,
coração e o mais importante de alma.
São
aqueles que, diferente dos que torcem por outros times, mas tem a humildade de
reconhecer os feitos do Galo, cultivam a inveja, a raiva e a pobreza em seus
corações.
A
estes coitados, dignos de pena eu dedico esse vídeo com poucos dos muitos
lances daquele que nada mais fez do que trazer alegria para nosso povo tão
sofrido.
http://globoesporte.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/2013/03/60-tons-de-zico-decisoes-golacos-passes-dramas-lances-inesqueciveis.html
É
necessário acrescentar que não é só futebol e respectivas conquistas que fazem
dele um semideus. Algo maior, que pouquíssimos frequentadores deste meio são
dignos de ter. Seu Caráter, Sinceridade, Correção e o Amor por este Clube foram os alicerces
que ajudaram a torna-lo o maior da maior Nação.
Não
meus caros, não é exagero. Nós desta Nação
estamos espalhados pelos quatro cantos do planeta quase que exclusivamente por
seus feitos ou consequências deles.
Feitos
que o fizeram Zico do Flamengo, mantendo
a ordem natural aos valores e não o Flamengo
de Zico, como outros médios que se espalham por aí.
Não
importa se há instituições mais ricas ou com mais conquistas. O que importa é
que não há e nunca haverá outro como o Flamengo.
Não há um que tenha em sua História tantos ídolos criados em suas divisões de
base e entre eles um que represente tanto quanto este que homenageamos hoje
neste dia 03 de março de 2013, data de seus 60 anos de glórias.
Ele
junto com outros que nasceram e viveram nas fileiras das Glórias Flamengas, misturando Raça
e técnica de forma inigualável, inúmeras vezes embalados pelos cânticos da
onipresente Nação em uma simbiose
invejada e nunca igualada, fazem daqueles que não entendem o real significado
de ser Flamengo, meros coadjuvantes
e como tais a vida lhes é efêmera e passa sem ressaltos ou sobressaltos.
Ontem
ele foi merecidamente homenageado com uma estátua. Como se isso fosse necessário
para perpetuar seus feitos.
“Obrigado, Arthur Antunes Coimbra e que nunca deixes de ser Zico."
Saudações.