02 março, 2013

NATAL, A MISSA DO GALO



Mulambada,

Muitos, mesmo que contemporâneos não entendiam e ainda não entendem o motivo de certas coisas. Alguns conseguem perceber que há uma diferença, mas não a essência do sentimento, a grandiosidade de feitos e o que isso tudo representa para nós, milhões de favorecidos e felizardos que têm nessa história muito a agradecer e respeitar.

Esse texto não tem a pretensão de explicar o inexplicável, mas sim prestar uma singela homenagem àquele que merece mais que isso.

Até porque os fatos aqui resumidos são a mais clara e simples representação da verdade que, só não vê quem não quer.

Escrever essas palavras é o mínimo e fico feliz em poder fazê-lo. Entretanto se, além disso, eu conseguir fazer com que mais alguns poucos que sejam, entendam a grandiosidade disso tudo, ficarei mais feliz ainda.

Diz a lenda, que um tal de Papai Noel mora há séculos, no Polo Norte. Um velhinho que, junto com seus assistentes, os duendes, passam o ano fabricando brinquedos e enchendo o saco da Mamãe Noel, enquanto aguarda as proximidades de dezembro quando recebe os milhões de cartinhas de crianças pidonas.

Elas escrevem ter se comportado muito bem durante o ano, blá blá blá e que por isso merecem receber seus tão desejados presentes de Natal.

O Bom Velhinho, que não é bobo nem nada sabe muito bem que apenas poucas delas são reais merecedoras e só a elas atende, mas os pais das demais, para não deixa-las tristes correm às lojas atrás dos desejos dos filhos; mimando-os.

Com isso, milhões de crianças de várias nações permanecem mal educadas a espera do dezembro seguinte.

Todavia, há entre essas uma Nação privilegiada. Pode-se afirmar sem medo de errar que é a Nação mais feliz do planeta. A única cuja brilhante trajetória conquistou a prerrogativa de ter dois Natais por ano.

A origem dessa bela História data de 15 de novembro de 1885 e teve o início de seu ápice em 1953, mais precisamente 03 de março.

Nesse dia, lá pelas bandas de Quintino, um subúrbio do Rio de Janeiro, repetindo 25 de dezembro de 0001, nasce um menino que iria trazer alegria para milhões em torno do planeta.

Ainda criança, passava as tardes nos campinhos do bairro ensinando aos seus discípulos e admiradores a melhor maneira de se tratar uma bola de futebol. Na época, já vestia o Manto.


A fragilidade de seu corpo não o impedia de, com ela, desenhar linhas imaginárias retas ou curvas deixando seus admiradores boquiabertos, marcadores tontos ou algumas vezes estatelados no chão.

Mas ainda eram poucos os que o conheciam.

Encontraram-no e o levaram para as divisões de base daquele que viria a ser o Maior Clube de Futebol do Mundo.

Foi lá que continuou a formar seu caráter e em um trabalho inédito no âmbito futebolístico a estrutura física do corpo que iria ajuda-lo a seguir o seu destino.

Foram árduos anos de trabalho físico, técnico e muita perseverança.

E eles foram passando e quando na casa dos 20, começou a atuar entre os profissionais. Foram atuações discretas que nada lembravam as quando jogava entre os novos.

Eram os anos 70, mais precisamente 1971 e em seu primeiro jogo entre os grandes, foi dele o passe para o segundo gol (Fio Maravilha) na vitória sobre os filhos da Península Ibérica.

O Cara já começou chacoalhando aqueles que hoje são nossos maiores fregueses e vices.

Atuou em apenas duas partidas de sua primeira conquista, o Campeonato Carioca de 1972 e nem aparece na foto.


Zagallo confiava muito no seu talento, mas só foi se firmar entre os profissionais em 1974.

Exemplo a ser seguido e citado até hoje, ele era o último a sair de campo nos dias de treinos. Ficava cobrando faltas tendo como referência uma camisa pendurada no ângulo superior de cada lado da trave. Não é atoa que bater faltas virou sua temida especialidade.

Gradativamente, junto com outros companheiros, foi adquirindo confiança e sua cada vez maior identificação com o Manto Sagrado fez seu futebol aparecer conquistando fãs também entre os adversários.

Logo vieram as demais conquistas, e entre elas antigos tabus iam sendo quebrados. Uma freguesia aqui, outra acolá e o Flamengo consolidava incontestavelmente sua condição de Mais Querido, no país.


Companheiros que haviam sido adquiridos em outras paragens foram sendo substituídos por mais qualificados que como ele, cresceram no âmago Rubro-Negro.

Formaram mais que um time de futebol, mais que uma seleção, mais que uma família da qual ele era o líder inconteste. Juntos eram quase imbatíveis e quando se deparavam com uma rara derrota sabia-se ser apenas o acaso ou um capricho dos Deuses para tentar dar ânimo aos certamees.

Mas não eram só alegrias, em 26 de agosto de 1976, perdeu um de seus melhores amigos e nós, um tremendo craque de bola. Geraldo Cleofas Dias Alves ou Geraldo Assoviador. Com 22 anos, uma das maiores promessas da época. Sofreu um choque anafilático quando convalescia de uma cirurgia para extrair as amígdalas.


Com certeza o ocorrido contribuiu para a perda do que poderia ser o nosso primeiro título nacional.


Mais quatro anos foram necessários para conquistarem o Brasil. Era 1980 e em dois jogos memoráveis o Urubu fez canja, o galo mineiro virou galinha, mostrando quem era o real dono do terreiro.


Logo depois foi a vez das Américas, em três batalhas épicas cuja violência, de intensidade nunca vista, desferida pelos oponentes tecnicamente incompetentes, fora vencida pela união de técnica e Raça possível apenas àqueles que possuem sangue Rubro-Negro correndo nas veias.


Não demorou muito para que, em 1981, conquistassem o mundo.

Possuíam superioridade técnica incontestável devido a qual foi necessário apenas meio jogo para a conquista ser consumada em um 3 x 0 que deixou os súditos da Rainha boquiabertos.


Suas qualidades eram incomparáveis, incontestes e faziam dele superior. A Nação o fez ídolo entre muitos outros na História, o maior de todos eles.


Em 1982 e 1983, junto com seus amigos, mais duas conquistas nacionais.


Porém, para desgosto da Nação foi vendido em 1983 e com o dinheiro obtido, aproximadamente 2 milhões de dólares, dizem, adquiriram o terreno onde hoje está sendo erguido o Ninho do Urubu. Menos mal pelo objetivo, mas que foi triste não se pode negar.

http://www.youtube.com/watch?v=6lDyuWHhTnQ

Foi como se Pilatos lavasse as mãos pela segunda vez.

Foi para a terra das massas sacudir as massas de “tifiossis” ávidos por tempero de qualidade.

Fez com que um inexpressivo time de segunda divisão, como muitos que temos por aqui, se tornasse o segundo melhor daquelas paragens.

Vice artilheiro, jogando menos 6 partidas que  o artilheiro da temporada, deixou saudades nos italianos:

"Para nós firulanos, Zico tem o mesmo significado de um motor de Ferrari colocado dentro de um fusca. Sentimo-nos os únicos no mundo a possuir um carro tão maravilhoso e absurdo."

Voltou no segundo semestre de 1985.


E em seu primeiro jogo, fez um gol. Flamengo 3 x 0 no bahia.

Logo depois, um animal, totalmente desprovido de recursos técnicos o atingiu de forma bruta e violenta causando torções nos dois joelhos e no tornozelo esquerdo, contusão na cabeça do perônio esquerdo e profundas escoriações na perna direita.

Teve de se submeter a três cirurgias no joelho esquerdo e a longo período de recuperações devido as consequentes problemas musculares.

"Decidi tentar, pois não admitia a ideia de ser obrigado a abandonar os campos. Queria um dia parar com o futebol e não o futebol parar comigo."

Para voltar a jogar, teve de suportar até oito horas diárias de musculação, lutando para conseguir novos centímetros para a perna esquerda atrofiada pelas contusões.

Em 1986, na estreia de Sócrates contra o pessoal lá de LaranGayras, atuou de forma exuberante e fez 3 gols na vitória de 4 x 1.

Sagrou-se pela última vez, Campeão Carioca e no ano seguinte, 1987, conquistou seu último título nacional; o Penta Campeonato Brasileiro do Mais Querido. Aquele que os invejosos tentam desmerecer pela simples e pura incompetência de obtê-lo; no campo e dentro das regras.


Também no segundo semestre, mas de 1989, ele se despediu dos campos brasileiros.

Com uma atuação magistral, novamente o pessoal de LaranGayras foi a vítima de uma sonora goleada, 5 x 0.

"Era tudo o que eu queria. Terminar com um gol e justo do jeito que eu mais gosto: de falta."

Convidado, aceitou e passou quatro anos (1991 à 1994) no Japão ensinando os baixinhos a jogar futebol.

Ajudou a construir toda a estrutura que hoje existe na terra do Sol Nascente e por lá também é ídolo nacional.

Não é difícil encontrar uma relação das conquistas obtidas com seus mais de 700 gols e dessas cito as que considero mais importantes:

- Campeonatos Cariocas                              -            007
- Campeonatos Brasileiros                            -           004
- Taça Libertadores da América                   -           001
- Campeonato Mundial de Clubes                -           001

Mais importantes por terem sido as que nos fizeram a Nação mais feliz do mundo.

Outras histórias foram parte de sua História. E de todas estas Histórias, a que ele ajudou a construir pelo Mais Querido é sem dúvidas a mais bonita.

Para felicidade geral da Nação, voltou à Gávea como dirigente em 2010, mas foi vergonhosamente caluniado por um qualquer que, apoiado pela fraca e covarde direção da época em um dos atos mais sujos já visto, fez com que ele abdicasse ao cargo.

O fato de não ter conquistado uma Copa do Mundo pelo Brasil é tido como um demérito por muitos, mas os inteligentes citam Calazans:

“Azar da Copa!”

E eu acrescento que essa é mais uma exclusividade e honra que só os Flamengos têm; um título Mundial Conquistado por Zico.

Não é para qualquer um.



Entretanto, mesmo com imagens, histórias, relatos e inúmeras conquistas há os que tentam denegrir a imagem indelével deste cidadão antes de tudo Rubro-Negro de corpo, coração e o mais importante de alma.

São aqueles que, diferente dos que torcem por outros times, mas tem a humildade de reconhecer os feitos do Galo, cultivam a inveja, a raiva e a pobreza em seus corações.

A estes coitados, dignos de pena eu dedico esse vídeo com poucos dos muitos lances daquele que nada mais fez do que trazer alegria para nosso povo tão sofrido.

http://globoesporte.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/2013/03/60-tons-de-zico-decisoes-golacos-passes-dramas-lances-inesqueciveis.html

É necessário acrescentar que não é só futebol e respectivas conquistas que fazem dele um semideus. Algo maior, que pouquíssimos frequentadores deste meio são dignos de ter. Seu Caráter, Sinceridade, Correção e o Amor por este Clube foram os alicerces que ajudaram a torna-lo o maior da maior Nação.

Não meus caros, não é exagero. Nós desta Nação estamos espalhados pelos quatro cantos do planeta quase que exclusivamente por seus feitos ou consequências deles.

Feitos que o fizeram Zico do Flamengo, mantendo a ordem natural aos valores e não o Flamengo de Zico, como outros médios que se espalham por aí.

Não importa se há instituições mais ricas ou com mais conquistas. O que importa é que não há e nunca haverá outro como o Flamengo. Não há um que tenha em sua História tantos ídolos criados em suas divisões de base e entre eles um que represente tanto quanto este que homenageamos hoje neste dia 03 de março de 2013, data de seus 60 anos de glórias.

Ele junto com outros que nasceram e viveram nas fileiras das Glórias Flamengas, misturando Raça e técnica de forma inigualável, inúmeras vezes embalados pelos cânticos da onipresente Nação em uma simbiose invejada e nunca igualada, fazem daqueles que não entendem o real significado de ser Flamengo, meros coadjuvantes e como tais a vida lhes é efêmera e passa sem ressaltos ou sobressaltos.


Ontem ele foi merecidamente homenageado com uma estátua. Como se isso fosse necessário para perpetuar seus feitos.


A mim só resta dizer:

“Obrigado, Arthur Antunes Coimbra e que nunca deixes de ser Zico."

Saudações.


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