Mulambada,
Faz tempo que não dou as caras,
mas vocês vão concordar que esse ano de 2014 não havia muito o que fazer por
aqui. Aliás, faz alguns anos que tem sido assim. Com exceção das Conquistas do
Basquete, do hexa em 2009 e da Copa do Brasil de 2013 nada que aconteceu foi
digno de grandes comentários. Nem mesmo os vários cansativos carioquetas que
nos mantém hegemônicos no estado mais bonito do Brasil. Muito pouco valeu a
pena perder tempo mal traçando linhas por aqui.
É claro que estou falando de nós,
Flamengos
dos quatro costados afinal, nossa natureza é sermos felizes. Nascemos para isso
e nossa vasta história ratifica esse dogma. Ser feliz e ser Flamengo
são o melhor exemplo de simbiose e redundância que se possa dar. Seja pelos
inúmeros títulos ou apenas pela própria existência cuja modéstia impõe a
natural arrogância que trazemos no coração.
Sim os tempos têm sido ruins para
nós, mas para os peles componentes da maior torcida do mundo, a Arco-Íris invejosa,
fétida e mal vestida, o ano foi de emoções. E que emoções.
A começar pela nossa medíocre
performance que os fazia repetir como se mantra fosse:
“Esse ano cai!”
Foram rodadas e mais rodadas, em
que eles se alimentavam da nossa incompetência técnica e profissional e que
estivemos ali rondando a zona dos impuros, para deleite dos indignos. Em cada
esquina, bar ou ermo da cidade o assunto era o mesmo; a tão desejada queda do Maior de Todos.
Eles riam, muitos gargalhavam e
bostejavam pérolas como:
“Se o Flamengo cair vou ficar feliz, mesmo
se meu time cair também!”
“Prefiro ver o Flamengo rebaixado
do que meu time campeão!”
Etc.
Nenhuma novidade afinal para
esses buchas, cujos times não almejam muito a cada temporada, torcer contra é
mais gostoso. Ou a única opção para um pouco de felicidade.
E o ano foi passando, a natural
conquista do carioqueta já nada havia acrescentado, restava o cada vez mais
distante hepta e/ou o Bi da Copa do Brasil.
No primeiro rastejávamos pelos
gramados e vivíamos a rondar a zona dos impuros.
Durante o ano entraram e saíram
jogadores e técnicos e o comportamento do time permanecia o mesmo. Sabia-se que
não poderíamos esperar muito de nossos come-dormes. Eram latentes suas
limitações técnicas que em alguns se agravava pela idade avançada. Mas o que eu
não entendia é que como jogadores ditos profissionais, com os vencimentos em
dia e rodeados de boa estrutura tinham desempenho tão pífio? Um grupo cuja
atitude desprezível os fazia ser sacaneados pelos quatro cantos do país sem
reação. Um mínimo de amor próprio traria resultados menos ruins.
A política de saneamento das
dívidas e recuperação da saúde financeira do Mais Querido, que tem sido o norte
da atual administração é o motivo da escassez financeira que nos impões esse
bando a vestir o Manto Sagrado. Mas mesmo com os altos e baixos sou fiel
defensor dessa ideia e consigo deixar a paixão de lado em prol da certeza de
que em breve seremos uma potência esportiva mundial.
Sei que não sou o único a pensar
desta forma e quem viver verá.
Mas para isso, é necessário que,
ao contrário do país que trilha caminhos tortos permeados de enormes poças de
lama e corrupção, continuemos a seguir nossas trilhas tendo a austeridade como
principal pilar desta e das futuras administrações.
Não há outra opção a não ser a
parcimônia para não sermos mais um dentre os milhões que vivem na sujeira sócio
política e econômica neste país.
Mesmo assim, diante da
mediocridade que se encontra nosso outrora melhor do mundo futebol brasileiro
isso não era para nos deixar tão baixo.
Veio o profexô que com aquela
história de sair da zona da confusão enxertou poucas doses de vergonha na cara
dos come-dorme e sem muita dificuldade subimos a níveis menos poluídos.
Passamos a vencer os bichos-papões
e continuamos a perder pontos preciosos para os pequeninos. Coisas de Flamengo.
Na Copa do Brasil, mantínhamos as
esperanças da Nação
até que o Exúdocorpomole novamente encarnou nos come-dorme e levamos uma tunda
de um eterno freguês.
Vida que segue.
E 2014 se mostrou único para
todos ratificando o fato de o Flamengo ser o fiel da balança esportiva do país.
O trem pagador que carrega nos ombros muitas das demais agremiações ao lotar os
estádios mesmo não estando bem. Aquele que mexe com os corações de quase 100%
dos torcedores do país. Enquanto 40% bate de felicidade, 60% enfarta de
tristeza e vasco-versa.
2014 provou que o Sr. Paulo Roberto
Costa (Operação Lava Jato) não estava errado ao dizer que a corrupção está em
todo o país, pois foi contundente ao mostrar que também nos esportes a sujeira esteve
escondida sob os tapetes das glórias conquistadas em várias modalidades.
Grande novidade!
2014 foi sarcasticamente irônico ao
fazer ressurgir dos mortos uns seilaquenzinhos que julgávamos muito bem
enterrados e inofensivos; fazendo-nos crer que o futuro vai ser complicado.
E 2014 está chegando ao fim sem
nenhuma novidade para todos, perdemos mais uma Copa do Mundo, dessa vez de
maneira vexaminosa, temos mais um médio carioca na 2ª divisão e o Flamengo,
gigante que é, para desespero dos infiéis, não caiu.
Feliz Natal e que venha 2015,
repleto de boas novas para nós Flamengos.
Saudações.

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