Mulambada,
Rio mais de 40 graus à sombra. O
pau comendo desde cedo dentro daquilo que costumam chamar de transporte
público. O povo como gado, diariamente conduzido precariamente aos seus postos
de labuta.
O pensamento de quase 100% da
população voltado a um único evento ou o mais importante do dia.
A estreia do Maior de Todos na Liberta de 2014.
Mais de 40 milhões ansiosos e
confiantes enquanto os demais iniciavam seu natural processo de secagem. Meus velhos
e maçantes conhecidos membros da Arco-Íris safada, fétida e mal vestida, ao me
verem passar, não se continham e destilavam seu veneno em observações inócuas.
Impressionante como a mera
possibilidade de uma conquista pelo Mais Querido, mesmo que ainda embrionária e remota
já lhes causa temor.
É a ordem natural das coisas.
A acuada e indefesa presa
amedrontada em apenas ouvir o rugir de seu predador. Mesmo que ainda muito
longe. Eles sabem que não demorará e o Mengão jubilador estará presente para a
aniquilação.
O dia demorou a passar ...
Eram 22 horas e alguns minutos
quando a bola rolou.
Jogo meio confuso devido ao
natural tempo de adaptação às condições reais da contenda. Era confuso, mas
nada morto. Em poucos minutos uma bola na trave de cada time.
Jogávamos com 11 e bem. Mas não
foram necessários muitos minutos, apenas 12 para que a situação voltasse ao de
costume. Decididamente o Flamengo dos últimos anos se acostumou a jogar com
10.
A infantilidade que beirou a
ignorância feita pelo valoroso Amaral nos deixou de calças curtas. Mesmo assim
eles só foram fazer seu gol aos 29 minutos de partida.
Fogos foram soltos pela cidade....
Natural.
O cenário de horrores se mostrava
irreversível e uma derrota por muitos gols tinha de ser evitada a qualquer
custo.
E nossos come-dorme entenderam
isso.
Como há muito não se via
(sentia?), era latente a energia emanada pela Nação espalhada pelo mundo. O Manto se
fez Sagrado
e como em inúmeras e desacreditadas vezes municiou de Raça, Amor, Paixão, Suor
e Lágrimas o coração de cada um de nossos craques.
Como verdadeiros Flamengos
nossos soldados honraram gerações e se portaram como homens. Não se acuaram,
apenas uma postura defensiva com o claro objetivo de conter o ímpeto dos
mexicanos para partir em cirúrgicos e contundentes contra-ataques.
Samir, um monstro e Cárceres, um
leão; lideravam as ações. Os dois ladeados pelos demais formavam uma legião de
incansáveis semi-heróis.
A natural e eternamente impune
hostilidade da torcida adversária, os mais de 1.800 metros de altitude e a
duvidosa atuação de sua excelência o árbitro não foram suficientes para minar
nossas forças e a cada bola recuperada partíamos para cima dos caras sem dó nem
piedade em busca de nosso já merecido gol.
Nossa retaguarda sofria as
consequências e se mostrava firme. Felipe foi mágico em toda partida e
responsável direto pelo resultado.
Tudo normal, Libertadores não é
para criança, não é para qualquer um, é para gente grande. E ontem o Flamengo
de grande transformou-se gigante.
Foram necessários apenas um pouco
mais de 14 minutos para transformar em números nossa gana. Saímos do primeiro
tempo com o empate e para desespero da Arco-Íris, continuávamos vivos, muito
vivos.
O segundo tempo não foi
diferente, poderíamos ter ganhado como perdido. Eles foram mais felizes mesmo
com o Felipe pegando tudo e venceram.
Não seria um mau resultado se estivéssemos
na faze de mata-mata, mas não é o caso e perdemos três pontos preciosos.
Recuperáveis?
Claro! Mas para tanto precisamos
jogar como ontem, ou melhor.
Fica a certeza que não seremos
apenas coadjuvantes nessa Liberta. O Flamengo mostrou ao mundo, mais uma vez, que ao
contrário de ditos guerreiros nós lutamos por títulos e sempre dentro de campo,
conforme manda a ética.
Saudações.

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