10 março, 2014

AO RESTO, O DE SEMPRE


Mulambada,

Há muito que participar do que já foi o mais charmoso campeonato do país deixou de ser interessante para quem não veste Rubro-Negro. Fora esporádicas temporadas, o Maior de Todos participa de forma exuberante terminado por levar para casa ao menos uma das três taças disputadas em cada certame. Foram inúmeras Taças Guanabaras, Taças Rios, Taças dos Estaduais e não foram raros os anos em que levou tudo pra casa. Deixando a Arco-Íris invejosa, fétida e mal vestida a ver navios.

E ontem não foi diferente, conquistamos nossa 20ª Taça Guanabara, a primeira tacinha do ano que promete.

Certo que também para nós não tem sido fácil participar desses jogos, pois parecem aqueles de quermesse, de tão vazios, mas longe deles de tão sonolentos. Peladas de casados contra solteiros no meio do churras, regado a cervejota geladíssima, são mais animadas e interessantes.

Mas diferente dos demais, mesmo tendo coisas mais interessantes à se preocupar, quando vale taça o Flamengo se porta de maneira suficiente a conquista-la. Ontem foi contra o foguinho e como sempre eles tremeram.

Essa outrora respeitada agremiação, única que na década de 60 teve seus 15 minutos de fama a fazer frente ao Maior de Todos, já não é mais a mesma faz tempo. Não sei se por incapacidade ou por já conhecer o fim da história a cachorrada não transmite mais aos seus oponentes a insegurança de antes.

Já latiram como Pit Bulls, mas hoje mais parecem chiuauas. Aqueles cachorrinhos de madame que andam escondidos nas bolsas das socialites pelos shoppings da cidade.

Aos seus torcedores resta o sentimento que nutrem e a tristeza que a história quase sempre lhes reserva.

Como há muito, no jogo de ontem eles nem ao menos tiveram a honradez de tentar colocar água em nosso chope. Se entregaram como, nos tempos do Coronelismo, vadias faziam na presença de seu Amo e Senhor.

Pouco valia a pelada, é verdade, mas a desculpa de que há outros interesses mais importantes não é bastante para comportamento tão chulo.

É sabido que em uma disputa a diferença entre vencer ou não é tênue, ainda mais em se tratando de um centenário clássico regional. Mesmo nada valendo, o que não era o caso, é preciso honrar as calças que se veste e portar-se como homens em busca de um objetivo.

E o Botafogo, mais uma vez botafogueou. Verbo criado a partir de seu desempenho nos últimos anos.

Ao Urubu, senhor da porratoda, só restou chutar o cachorro pulguento que jazia na sarjeta.

Diga-se de passagem, não foi necessário muito esforço.

A taça?

Ora meus caros, já era sabido da possibilidade da conquista, ainda mais se tratando do Mais Querido papão de títulos, mas a exemplo das autarquias deste nosso maravilhoso, belo e rico país, a FERJ cagou e andou pela valorização de seu próprio produto e deixou-a pegando poeira em uma de suas salas vazias.

A Federação já passa vergonha a cada edição de seu carioqueta, mas neste ano passou vergonha maior pela ausência do objeto.

Mas nós que não temos porranenhuma com essa bagunça devemos comemorar.

Ao resto, o de sempre.

Saudações.


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