10 maio, 2013

COMENTANDO AS NOVIDADES




Mulambada,

Estamos em intertemporada. A rapaziada está em Pinheiral, recarregando as baterias e semana que vem inicia um processo de reaprendizado onde voltarão a ter contato com seu principal instrumento de trabalho a quem não vêm tratando com o mínimo de decência necessária.

A bola.

Não sei quanto a vocês, mas hoje, livre da paixão que cega o torcedor, vejo que a grande verdade é que os nossos andaram desaprendendo aquilo que mais importa em suas atividades, ou seja, jogar futebol.

Sim meus caros Mulambos, o que se joga hoje é tudo menos futebol. As condições podem não ser as melhores, mas elas ainda existem. Temos bons campos, estádios razoáveis, bolas de boa qualidade, público, mídia e anunciantes interessados, mas não temos o mais importante, o que dá a graça e alegria ao esporte mais popular do mundo; excelentes jogadores de futebol.

Temos alguns que se sobressaem, é verdade e eles dão vida ao famoso ditado de que em terra de cego quem tem um olho é rei. E muitos de vocês já se acostumaram com a carência e aceitam de bom grado a esmola representada pelos ciclopes.

Muitos desses eu entendo, pois não tiveram a oportunidade de ver verdadeiros craques jogando. São jovens que não tiveram a oportunidade de vê-los atuando sem serem caçados como coelhos como fazem hoje. Ou são velhos que esqueceram das coisas boas da vida.

Há os que não jogam, mas contribuem com a desgraça e na contramão da tendência europeia mantém em mais da metade de nossos times um bando de pernas de pau que nada têm à mostrar muito menos à contribuir com a evolução do que deveria ser o jogo.

Isso acontece desde 1982 quando em duas fatalidades perdemos um jogo para a Itália e com isso a oportunidade de sermos mais uma vez Campeões Mundiais de Seleções. Quatro anos depois a pá de cal foi jogada sobre o caixão do que chamavam de futebol brasileiro e hoje o mundo perdeu todo o respeito que tinha por nós.

Temos no time mono-título das galinhas mineiras o único exemplo próximo do que poderíamos chamar de futebol e só. Os outros que estão sobressaindo por aí nada mais são do que grupos de ciclopes bem arrumadinhos em campo. Tudo com o aval da mídia. Lógico, eles têm que fazer você acreditar que é bom, se não você não compra.

E você compra.

As vezes, surge uma promessa aqui e outra acolá, porém de efetivo mesmo apenas bons jogadores, mas nada de craques.

Ora! Não me venham falar de Neymar ok?

Se olharmos para o no nosso Flamengo, a situação não é muito diferente. Depois da década de 80, tivemos lampejos e até conquistamos um bom número de taças, mas na realidade, há muito que caminhamos na mesma estrada da mediocridade.

Mas parece que a coisa pode mudar. Não digo pelos atos dos Azuis, mas mais por eles estarem no lugar certo na hora certa e fazendo a coisa certa.

Vejo em nossa garotada oriunda da conquista da Copa São Paulo de Juniores, há dois anos, uma grande oportunidade de voltarmos a ter não só um time de jogadores feitos em casa como também que a maioria deles seja de craques.

Claro que é cedo para falar e justamente por isso que não estou afirmando.

São várias as variáveis a serem consideradas para que este sonho se realize e pelo andar da carruagem, estamos no caminho certo. As coisas estão meio paradas, mas sabemos que entre os esforços dos Azuis está a preocupação em manter essa molecada ligada ao Mais Querido com a renovação de seus contratos, a busca de investidores e patrocinadores para bancar não só o saneamento da Instituição, como também os investimentos como a conclusão das obras do CT e a contratação de jogadores jovens.

É óbvio e ululante que gostaria de ler no site oficial e depois nos diversos meios de comunicação a contratação de um ou mais jogadores mundialmente conhecidos, mas ainda não é possível. Pode até ser que venha um, mas aí será através de uma maravilhosa jogada de marketing quase como um milagre.

Sendo assim, é bom não contar com o ovo...

Os Azuis continuam cumprindo com o prometido. Não fielmente, mas de maneira bastante satisfatória e ao contrário do que tenho lido por aí, considerando-se o cenário composto por milhões em dívidas, milhinhos em arrecadação (mesmo com a o caixa da Caixa) e consequente pouco poder de barganha, o que temos não é tão ruim assim.

Trouxeram seis reforços (?) dos quais não tecerei uma palavra que seja. Deles, Marcelo Moreno, que estava encostado lá no sul e Roger Carvalho, são os mais conhecidos. Os demais; Diego Silva, Paulinho, Bruninho e Val são o que podemos chamar de apostas de grande risco.

Esses seis, podem até ser bons jogadores em seus clubes médios ou pequenos, mas isso aqui é Flamengo e jogar aqui não é pra qualquer pé-rapado. O Manto pesa e muito, tem que ser muito macho para se dar bem sob sua proteção.

Não faz muito tempo que fizemos várias contratações de nome e renome que não conseguiram produzir o que deles se esperava. Alguns cracaços como Romário e Edmundo que até jogaram direitinho, mas não conquistaram nada vestindo o Manto. Artilheiros de Brasileiros como Obina, Souza, David e mais outros menos conhecidos, que fracassaram e até sumiram como poeira do cenário futebolístico e mais recentemente os senhores Tiago Neves e Ronaldinho Gaúcho que até jogaram duas ou três partidas direitinho, mas nada de excepcional.

Aguardemos então suas estreias.

Enquanto isso, temos de fazer a nossa parte. Não é obrigado, mas é um dever cívico nos tornarmos Sócios Torcedores e comprar o novo Manto.


Me tornei sócio no mês passado e reservei meu Manto hoje pela internet. Nele, como no anterior, colocarei o número “8” em homenagem ao saudoso Geraldo Assobiador.

Saudações.


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