Mulambada,
HEHEHE!!!
Estava previsto. Só não viu quem
não quis.
Vários indícios mostravam que a
vitória escolheria o lado dos bons e é público e notório que os bons somos nós.
Na manhã dessa bela e ensolarada
quarta-feira eu estava em meu passeio matinal com @Boris Stafford, em torno da
Lagoa Rodrigo de Freitas quando, na altura da Curva do Calombo uma enorme
família de Urubus
brincava alegremente na grama à beira d’água. Outros membros dessa grande
família sobrevoavam os arredores majestosamente como se verificando seus
domínios.
Os boletins esportivos de tempos
em tempos anunciavam o fim dos ingressos de cada setor destinado à Nação.
Informavam ainda da possibilidade de uma confusão devido a possível invasão da Mulambada
aos lugares destinados à cachorrada.
Meu ingresso, comprado na manhã
anterior repousava sobre a mesa junto ao Manto que iria trajar à noite. Seria meu retorno
ao Maraca após o jogo que confirmou nosso Hexa em 2009.
Devido uma experiência mal
sucedida em um Flamengo x América o Vazião deixou de ser uma opção de lazer o
que me afastou do Mengão por longos quase quatro anos. Afastou fisicamente, mas
em pensamento sempre estive junto ao Mais Querido.
Havia a dúvida se meu pé
permanecia quente como antes. Nasci na década de 60 e vi presencialmente TODOS
os títulos destes mais de 40 anos. Meu filho, nascido em 1992 (ano do Penta),
outro pé quente, também estava com seu ingresso à postos.
Ou seja, tudo corroborando para
um desfecho dentro da normalidade e tradição que acompanha os duelos entre os médios
do Rio de Janeiro e o Maior de Todos.
Quando perguntado eu dizia com
segurança que a vitória viria, não ia ser moleza, mas estava certo de que
iríamos sair vencedores.
Além do descrito nos parágrafos
anteriores, o que mais alimentava minha confiança era apenas um verbo.
Oriundo das diversas pixotadas do
time lá de Soldado Severiano, botafoguear tournou-se celebre no mundo da bola.
A constante presença da Zebra
Paraguaya nos certames do país criou o verbo. Sua contundência é tanta que devido
a ela a já conhecida ínfima torcidinha muquirana dos caras encontra-se em claro
e rápido processo de extinção.
Hoje, uma das tarefas mais árduas
para um pai botafoguense é fazer de seu rebento outro incauto torcedor
alvinegro.
É vergonhoso ver que mesmo sendo um
dos clubes mais bem geridos do país, o atual campeão estadual e em situação
privilegiada tanto no Brasileiro quanto na Copa do Brasil, seu torcedor é
ausência certa nos estádios da cidade; quiçá do país.
Isso faz dessa decadente
agremiação eterna desmerecedora de qualquer êxito, por menor que seja.
E ontem, mesmo o futebol sendo
uma caixinha de surpresas, seria das maiores injustiças ser diferente.
No ônibus rumo ao Templo já
notava a diferença de espírito. Enquanto nós Rubro-Negros, mesmo cientes da
inferioridade técnica de nosso time tínhamos a confiança como companheira, eles
não eram vistos nas ruas.
Chegamos faltando aproximadamente
90 minutos para o início da pelada. A parte da Nação presente ocupava mais de ¾ do
estádio e entoava seus cânticos enquanto os dezoito deles insistiam em não
chegar.
Foram quase 60 mil dos quais mais
de 50 mil trajavam Vermelho e Preto.
Nossos “craques” adentraram o relvado
com a faca nos dentes e nem mesmo os primeiros poucos minutos em que os de lá
fizeram alguma graça foram suficientes para nos desestabilizar.
Aos poucos fomos tomando as ações
e dominando todos os setores do campo. Paulinho ofensivo na esquerda foi a
grande sacação de Jayme de Almeida e a maior das surpresas preparadas por ele
para dobrar bem dobradinho e colocar no bolso os favoritos da imprensa de pouca
memória.
Nossa marcação por zona aos
pseudos craques do lado de lá foi primorosamente executada e todos os nossos
onze cumpriam valorosamente as orientações táticas de Jayme.
Essa marcação sacrificou a
ofensividade de Elias e Luiz Antônio, mas permitiu a Paulinho jogar sua melhor
partida desde que chegou ao terreiro do Urubu. Se continuar assim vai se tornar ídolo da Nação.
Até Carlos Eduardo estava bem
posicionado em campo tanto que roubou algumas bolas, criou algumas jogadas e
uma delas foi a enfiada que acabou no pênalti muito bem batido pelo
aniversariante do dia, que também jogou um bolão. Parabéns Leo MOURA!
Tá certo que CE 20 perdeu dois
gols feitos e errou muitos passes, mas aí não é deficiência tática e sim
técnica que com certeza tem origem no peso do Manto.
Ele como muitos outros ditos bons
de bola não pode vestir a camisa esportiva mais bonita do mundo. Esses peles podem
ser craques em outro time, mas no Mengão é diferente, não é para qualquer um.
Permanece estranho o não
aproveitamento de garotos da base que já mostraram mais serviço com menos
oportunidades. Muito estranho mesmo.
Hernane estava iluminado e meteu
três aumentando ainda mais sua artilharia isolada e atingindo com bastante
antecedência sua meta particular de fazer 30 gols no ano. Isso porque passou
quase meio turno no banco.
Tem treinador que vive de nome,
mas é cegueta que dói.
Aos 28 do segundo tempo iniciou-se
um olé que durou longos 3 minutos. Isso foi muito para os poucos que ainda
insistiam esperar por um milagre e aos 35 do segundo tempo o mar azul já se
fazia presente do lado de lá e com isso a certeza de que na volta para casa o
metrô estaria menos maneiro por falta de quem sacanear.
Para quem, como eu, esperava um
jogo duro, com grandes possibilidades de ser decidido nos pênaltis, os quatro
gols, mesmo oriundos de um domínio incontestável, tirou um pouco a graça do
jogo ao ponto de o time não precisar do apoio da Nação como vem acontecendo.
O resultado vale como lembrança
aos incrédulos da Arco-Íris invejosa e mal vestida de que sempre que o jogo for a vera, no final dá Mengão.
Ainda lembrando aos de pouca
memória:
“Deixou chegar...”
O que vai dificultar um pouco é a
botafogueada que os vices deram hoje, mas nada que traga maiores preocupações
do que a baixa qualidade técnica de nosso elenco.
Sendo assim, meus caríssimos Mulambos,
com todo respeito aos demais, não tenho a menor dúvida que esse título é nosso.
Saudações.

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