17 outubro, 2013

CONTAR OU SONHAR?


Mulambada,

Quarta feira, chorosa devido a chuva que insistia em cair por quase 24 horas ininterruptas, noite fria, horário incompatível com quem pretende viver a vida de maneira honesta, ingresso caro e tudo o mais imaginável para afastar a Nação de seu Templo.

Tudo corroborando contra a ordem natural das coisas quando se trata de jogo do Mengão no Maracanã.

A injusta derrota no domingo passado transformou o resultado da pelada de ontem em crucial para nossas pretensões no certame. Os entendidos dizem que desde que a fórmula do Mata-Mata tornou-se a regra não se vê campeonato tão instável e adstrito.

É verdade, mas aos animadinhos de plantão, lembro que isso se deve a qualidade de nosso futebol que vem caindo mais que caráter de político brasileiro em ano de eleição.

Há anos que a quantidade de times que lutam para não cair vem aumentando e que a disputa pelo título vem se tornando monótona, restringindo-se a um ou no máximo três times.

Esse ano, quando ainda faltavam 12 rodadas já tínhamos um virtual campeão e mesmo com suas duas derrotas seguidas o panorama não mudou.

Enquanto lá em cima já está praticamente decidido, lá embaixo o bicho tá pegando e pegando feio. São muitos os times nessa degradante disputa e sem considerar os tradicionais mortos, esse ano temos como destaque os Vices e as Tricoletes do eixo Rio – São Paulo; sendo que dois deles são repetentes.

Correndo por fora com muita vontade de chafurdar na merda as Coxas-Brancas, um dos velhos e conhecidos cavalos paraguayos.

Outros também se encontram nessa disputa, com menos possibilidade de vencê-la, é verdade, mas estão lá no sabor da sorte que os espreita de soslaio, esperando um pequeno deslize para então dar o bote certeiro.

E nessa inconstante oscilação nos encontramos caminhando meio que sem rumo, incertos de qual nosso verdadeiro objetivo nesse ano de há muito desejadas mudanças.

Após sei lá quantos técnicos e contratações, ainda percorremos a tortuosa trilha do campeonato, ávidos por uma bússola que nos coloque no caminho certo em direção a glórias, como quase sempre foram os caminhos por nós percorridos em nossa imensa História.

Caminhos sempre difíceis, lotados de buracos, muitas vezes verdadeiras crateras, todas subjugadas diga-se de passagem, mas que sempre nos levaram ao topo para inveja da Arco-Íris mal vestida.

Nesta quarta, não foi diferente. Tivemos pela frente um bando de renegados, alguns deles estiveram em nossas fileiras que, como sempre fazem, deram a vida, a alma e o coração na vã tentativa de derrubar o Maior de todos. Se esforçaram como nunca o fizeram nos tempos em que vestiram o Manto. Tudo dentro da normalidade que caracteriza o futebol quando o objetivo maior a ser batido é o Flamengo.

Do nosso lado, enfim, vimos homens que também deram a vida, a alma e o coração em defesa de nossa cidadela.

A falta de técnica, o defeito genético que vem dificultando essa tarefa, foi suplantada pela sempre presente e valorosa ajuda da Mística da Camisa Rubro-Negra, os gritos dos poucos Heróis presentes e as preces dos milhões que não puderam comparecer ao culto.

Fomos grandes como quase nunca, mesmo errando como sempre.

Não importa a qualidade do futebol praticado, estamos em tempos de escassez de técnica e de tempo para voos decentes sendo assim, não me interessa se merecido, coerente ou não, importam os três preciosos pontinhos que colocamos no bolso. Dois estremos Importam, os dois merecidos gols feitos e a excepcional defesa de Felipe nos últimos segundos de pelada. O que aconteceu entre esses gols e a referida defesa pouco importa.

Estreamos bem o terceiro uniforme, muito bonito por sinal, mas muito caro e Hernane fez mais um.

Precisamos manter essa energia proveniente da simbiose entre os jogadores, o Manto e a Nação. Só assim deixaremos de fazer contas e passaremos a sonhar novamente.

Saudações.


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