Mulambada,
Quarta feira, chorosa devido a
chuva que insistia em cair por quase 24 horas ininterruptas, noite fria,
horário incompatível com quem pretende viver a vida de maneira honesta,
ingresso caro e tudo o mais imaginável para afastar a Nação de seu Templo.
Tudo corroborando contra a ordem
natural das coisas quando se trata de jogo do Mengão no Maracanã.
A injusta derrota no domingo
passado transformou o resultado da pelada de ontem em crucial para nossas
pretensões no certame. Os entendidos dizem que desde que a fórmula do Mata-Mata
tornou-se a regra não se vê campeonato tão instável e adstrito.
É verdade, mas aos animadinhos de
plantão, lembro que isso se deve a qualidade de nosso futebol que vem caindo mais
que caráter de político brasileiro em ano de eleição.
Há anos que a quantidade de times
que lutam para não cair vem aumentando e que a disputa pelo título vem se
tornando monótona, restringindo-se a um ou no máximo três times.
Esse ano, quando ainda faltavam
12 rodadas já tínhamos um virtual campeão e mesmo com suas duas derrotas
seguidas o panorama não mudou.
Enquanto lá em cima já está
praticamente decidido, lá embaixo o bicho tá pegando e pegando feio. São muitos
os times nessa degradante disputa e sem considerar os tradicionais mortos, esse
ano temos como destaque os Vices e as Tricoletes do eixo Rio – São Paulo; sendo
que dois deles são repetentes.
Correndo por fora com muita
vontade de chafurdar na merda as Coxas-Brancas, um dos velhos e conhecidos
cavalos paraguayos.
Outros também se encontram nessa
disputa, com menos possibilidade de vencê-la, é verdade, mas estão lá no sabor
da sorte que os espreita de soslaio, esperando um pequeno deslize para então
dar o bote certeiro.
E nessa inconstante oscilação nos
encontramos caminhando meio que sem rumo, incertos de qual nosso verdadeiro
objetivo nesse ano de há muito desejadas mudanças.
Após sei lá quantos técnicos e
contratações, ainda percorremos a tortuosa trilha do campeonato, ávidos por uma
bússola que nos coloque no caminho certo em direção a glórias, como quase
sempre foram os caminhos por nós percorridos em nossa imensa História.
Caminhos sempre difíceis, lotados
de buracos, muitas vezes verdadeiras crateras, todas subjugadas diga-se de
passagem, mas que sempre nos levaram ao topo para inveja da Arco-Íris mal
vestida.
Nesta quarta, não foi diferente.
Tivemos pela frente um bando de renegados, alguns deles estiveram em nossas
fileiras que, como sempre fazem, deram a vida, a alma e o coração na vã
tentativa de derrubar o Maior de todos. Se esforçaram como nunca o fizeram
nos tempos em que vestiram o Manto. Tudo dentro da normalidade que caracteriza
o futebol quando o objetivo maior a ser batido é o Flamengo.
Do nosso lado, enfim, vimos
homens que também deram a vida, a alma e o coração em defesa de nossa cidadela.
A falta de técnica, o defeito
genético que vem dificultando essa tarefa, foi suplantada pela sempre presente
e valorosa ajuda da Mística da Camisa Rubro-Negra, os gritos dos
poucos Heróis presentes e as preces dos milhões que não puderam comparecer ao
culto.
Fomos grandes como quase nunca, mesmo
errando como sempre.
Não importa a qualidade do
futebol praticado, estamos em tempos de escassez de técnica e de tempo para
voos decentes sendo assim, não me interessa se merecido, coerente ou não,
importam os três preciosos pontinhos que colocamos no bolso. Dois estremos Importam,
os dois merecidos gols feitos e a excepcional defesa de Felipe nos últimos
segundos de pelada. O que aconteceu entre esses gols e a referida defesa pouco
importa.
Estreamos bem o terceiro
uniforme, muito bonito por sinal, mas muito caro e Hernane fez mais um.
Precisamos manter essa energia proveniente
da simbiose entre os jogadores, o Manto e a Nação. Só assim deixaremos de fazer contas e
passaremos a sonhar novamente.
Saudações.

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