11 outubro, 2013

QUE NEM URUBU NO LIXO


Mulambada,

Acordei nessa quinta feira com uma dúvida enorme:

“Teria sido o início da 27ª rodada bom ou ruim?”

A reaproximação dos assíduos frequentadores da Zona dos Impuros era latente e uma derrota ou mesmo empate contra os vermelhos lá do Sul seria um desastre quase que irremediável.

A preocupação foi minha companheira o dia todo. A situação era clara, pois não é novidade que nosso time é ruim, que os caras de lá possuem um dos melhores elencos do certame e que preparo físico, talvez a única coisa fora o Manto e o grito da Nação que poderia nos fazer merecer um bom resultado, não tem sido nossa melhor qualidade esse ano.

Aliado a isto a eterna vocação de ressuscitar os mortos e de sempre levar um gol de um ex, aumentava minha preocupação.

Diante deste quadro, contrariando a natureza e nossas tradições nós Mulambos queríamos um bom resultado não para almejar o sucesso de uma conquista e sim para mais uma vez nos mantermos em distância razoavelmente segura da Zona dos Impuros. Este tem sido nosso carma nos últimos muitos anos.

Esse ano, a constante embolação na tabela proveniente da má qualidade do chamado Futebol Brasileiro é como uma faca de dois legumes; assim como permite livrar uma instituição da degola com menos que os tradicionais 45 pontos, não permite descanso à ninguém, nem àqueles lá de cima que julgam estar livres do martírio em 2014.

O anual ressurgimento dos tradicionais Cavalos Paraguaios reforça essa tese.

Como sempre, sentia-se no ar a eterna secação da Arco-Íris invejosa. As piadinhas e sarcásticos avisos de cuidado eram uma constante pelas ruas em que passeava com meu cão.

E, diante dessas incertezas fomos para o jogo.

Em casa, sobre o frágil tapete vermelho nossos onze com o Manto principal e nos braços da Nação, enfim se portaram como homens.

Os números da estatística de erros e acertos não mudaram durante os noventa minutos mais acréscimos por conta de uma improvável melhoria técnica, mas eles mudaram. A vontade de vencer estava nos corpos de nossos “craques” como nunca esteve esse ano. Olhos, órgãos e músculos, regados pelo temido sangue Rubro-Negro se fundiram em Raça Amor e Paixão pulverizando qualquer banco de dados de scouts anteriores.

Não sei se jogaram bem, eu acho que não, mas eu não estava nem aí para isso. Estava contente com a demonstração de vontade em obter o resultado único que nos interessava.

Oscilando (a palavra da modinha) como sempre, aos trancos e barrancos, mas dessa vez com a faca nos dentes, nossos pela sacos obtiveram o resultado improvável.

Com boas atuações de Leo Moura, Paulinho, Luiz Antônio e Amaral o Flamengo saiu vencedor, todavia a brilhante performance de Felipe, que nos salvou em três oportunidades mostra que o jogo não foi molezinha.

Hernane fez o dele ampliando a dor de cabeça do pai de Marcelo Moreno fazendo de suas palavras de que seu filho nunca jogaria no Flamengo cada vez mais uma verdade.

Rafael Moura foi o morto ressuscitado da semana.

A vitória mostrou que no Maior de Todos é diferente, confirmou a boa estrela de Jayme e transformou a rodada, que já havia trazido os que estão acima para mais perto, em excepcional e elevou-nos a 7ª posição da tabela; o que, aliado as reais possibilidades na Copa do Brasil e contrariando todos os prognósticos dos professores de plantão, permite a Nação sonhar com dias melhores e justos ainda esse ano.

Estamos como Urubus no lixo cientes de nossas deficiências, mas confiantes em nosso futuro fatos que alimentam nossa tradicional arrogância e a inveja da Arco-Íris mal vestida.

Faltam 8 pontinhos, pouco, mas difíceis. Precisamos manter os pés no chão, mas vamos deixar isso para amanhã, hoje é dia de ser feliz.


Saudações,


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