Mulambada,
Acordei nessa quinta feira com
uma dúvida enorme:
“Teria sido o início da 27ª
rodada bom ou ruim?”
A reaproximação dos assíduos
frequentadores da Zona dos Impuros era latente e uma derrota ou mesmo empate contra
os vermelhos lá do Sul seria um desastre quase que irremediável.
A preocupação foi minha
companheira o dia todo. A situação era clara, pois não é novidade que nosso
time é ruim, que os caras de lá possuem um dos melhores elencos do certame e
que preparo físico, talvez a única coisa fora o Manto e o grito da Nação que
poderia nos fazer merecer um bom resultado, não tem sido nossa melhor qualidade
esse ano.
Aliado a isto a eterna vocação de
ressuscitar os mortos e de sempre levar um gol de um ex, aumentava minha
preocupação.
Diante deste quadro, contrariando
a natureza e nossas tradições nós Mulambos queríamos um bom resultado não para
almejar o sucesso de uma conquista e sim para mais uma vez nos mantermos em distância
razoavelmente segura da Zona dos Impuros. Este tem sido nosso carma nos últimos
muitos anos.
Esse ano, a constante embolação na
tabela proveniente da má qualidade do chamado Futebol Brasileiro é como uma
faca de dois legumes; assim como permite livrar uma instituição da degola com
menos que os tradicionais 45 pontos, não permite descanso à ninguém, nem
àqueles lá de cima que julgam estar livres do martírio em 2014.
O anual ressurgimento dos
tradicionais Cavalos Paraguaios reforça essa tese.
Como sempre, sentia-se no ar a
eterna secação da Arco-Íris invejosa. As piadinhas e sarcásticos avisos de
cuidado eram uma constante pelas ruas em que passeava com meu cão.
E, diante dessas incertezas fomos
para o jogo.
Em casa, sobre o frágil tapete
vermelho nossos onze com o Manto principal e nos braços da Nação, enfim
se portaram como homens.
Os números da estatística de erros
e acertos não mudaram durante os noventa minutos mais acréscimos por conta de
uma improvável melhoria técnica, mas eles mudaram. A vontade de vencer estava
nos corpos de nossos “craques” como nunca esteve esse ano. Olhos, órgãos e
músculos, regados pelo temido sangue Rubro-Negro se fundiram em Raça Amor e Paixão pulverizando
qualquer banco de dados de scouts anteriores.
Não sei se jogaram bem, eu acho
que não, mas eu não estava nem aí para isso. Estava contente com a demonstração
de vontade em obter o resultado único que nos interessava.
Oscilando (a palavra da modinha)
como sempre, aos trancos e barrancos, mas dessa vez com a faca nos dentes,
nossos pela sacos obtiveram o resultado improvável.
Com boas atuações de Leo Moura,
Paulinho, Luiz Antônio e Amaral o Flamengo saiu vencedor, todavia a brilhante
performance de Felipe, que nos salvou em três oportunidades mostra que o jogo
não foi molezinha.
Hernane fez o dele ampliando a
dor de cabeça do pai de Marcelo Moreno fazendo de suas palavras de que seu
filho nunca jogaria no Flamengo cada vez mais uma verdade.
Rafael Moura foi o morto
ressuscitado da semana.
A vitória mostrou que no Maior de Todos
é diferente, confirmou a boa estrela de Jayme e transformou a rodada, que já havia
trazido os que estão acima para mais perto, em excepcional e elevou-nos a 7ª
posição da tabela; o que, aliado as reais possibilidades na Copa do Brasil e
contrariando todos os prognósticos dos professores de plantão, permite a Nação
sonhar com dias melhores e justos ainda esse ano.
Estamos como Urubus no lixo cientes de nossas
deficiências, mas confiantes em nosso futuro fatos que alimentam nossa tradicional
arrogância e a inveja da Arco-Íris mal vestida.
Faltam 8 pontinhos, pouco, mas
difíceis. Precisamos manter os pés no chão, mas vamos deixar isso para amanhã,
hoje é dia de ser feliz.
Saudações,

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