29 agosto, 2013

E O PROFETA CHOROU



Mulambada,

Vocês foram à Catedral, estavam em grande número e animados com a possibilidade bastante real de classificação. A raposa deixou em seu covil a remota chance de êxito. Mas elas ainda tinham uma chance devido ao sua técnica superior. São os atuais líderes do Campeonato Brasileiro e isso não é para qualquer um.

A raposa, com seu pelo reluzente proveniente de uma chapinha sem vergonha, chegou cheia de si e acostumada a se distrair com uma galinha achou que ia se criar por aqui também.

Mas aqui é Terreiro do Urubu que por ser uma ave de rapina sempre acaba comendo nem que os restos de seus inimigos.

Não se iludam, não foi um jogo maravilhoso tecnicamente, o que mostra que ainda temos um longo caminho a percorrer e quantidades enormes de calmantes à consumir.

Mas foi diferente, como diferentes foram as duas etapas do jogo.

O primeiro tempo não foi lá essas coisas. Os erros de passes persistiam assim como a mesmice de nossas jogadas infrutíferas e nem a entrada de Rafinha contribuiu para sua melhora. É certo que perdemos três chances, mas foi pouco para nossas necessidades.

A bola tratada como vadia por nós tinha alguns momentos de paz nos pés dos “inimigo”. Eles tocavam quase todas de primeira nos envolvendo em alguns momentos. Isso fazia de nosso sistema defensivo um pouco mais vulnerável; o que para nós já é um pesadelo. Felipe trabalhou mais do que o de costume e só não saímos para o repouso perdendo, graças a São Judas Tadeu.

A parte da Nação presente fazia belissimamente a sua parte, mas a falta de reciprocidade do bando que estava em campo a fez esmorecer em alguns momentos. Não havia ímpeto em nosso time e o jogo se arrastava em campo.

E aos zero um do segundo tempo, enfim o Urubu entra em campo e começa o jogo.

Elias em noite de gala auxiliado por Rafinha, Paulinho e Luiz Antônio faziam quase de tudo. Os demais em nível superior ao de costume faziam do Mais Querido o melhor em campo.

A raposa ia sendo encurralada e se encolhia cada vez mais como um coelhinho medroso. Nossas jogadas encaixavam como há muito não se via e passes errados tornaram-se raridade. As chances de gol se multiplicavam e eram perdidas pelo capricho dos Deuses e a incapacidade técnica dos de sempre.

A Mulambada continuava cumprindo uma à uma cada uma das cláusulas no Contrato de relação única e inexplicável de Amor e Ódio, assinado desde tenra idade com o Maior de Todos. Eram mais de 50 mil incentivando à uma só voz, como só a Torcida do Flamengo sabe fazer.

O Templo mal modificado ainda não nos acolhe como antes (precisamos voltar seriamente a pensar em nosso estádio), mas mesmo reduzido, o gramado enfim tornava-se novamente o terreiro do Majestoso Urubu Rei.

Como em áureos tempos, ele mostrava com naturalidade peculiar que o mata-mata é sua maior especialidade mesmo quando craques não estão em suas fileiras.

O Manto Sagrado também fazia sua parte munindo de personalidade e força os que o vestiam com honra e humildade em troca de seu suor, em uma simbiose já conhecida e invejada, mas há muito não vista.

Entretanto o tempo estava sendo cruel. Acelerava cada vez mais rápido com uma voracidade extrema. E à partir dos 40 minutos o nervosismo começava a tomar conta da Nação.

Aos poucos crescia em nossos corações o sentimento de que Senhora das Injustiças ia fazer mais uma das suas e tirar do Flamengo a oportunidade de seguir seu caminho natural de obter vitórias quase impossíveis.

Mas aqui, “mermão”, é Flamengo e a História está repleta de nossas conquistas obtidas sob sangue, suor e lágrimas. Enfrentar ventos contrários em mares revoltos faz parte de nosso cotidiano.

Se fosse para ter molezinha eu não ia ser Flamengo.

Eram exatos 42 minutos e quebrados que Rafinha descobriu Paulinho junto à linha de fundo e este cruzou magistralmente para trás onde estava livre o Profeta Elias. Nosso real artilheiro, com chute de prima meteu a gorducha, à meia altura, rente a trave esquerda sem chances para o bom goleiro deles.

E mais uma vez fez-se a luz!

A massa de 40 milhões (e crescendo) explodiu em êxtase transformando a noite em mais um marco importante de nossa História.

E o Profeta então chorou.


Saudações.


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