Mulambada,
Vocês foram à Catedral,
estavam em grande número e animados com a possibilidade bastante real de
classificação. A raposa deixou em seu covil a remota chance de êxito. Mas elas ainda
tinham uma chance devido ao sua técnica superior. São os atuais líderes do
Campeonato Brasileiro e isso não é para qualquer um.
A raposa, com seu pelo reluzente
proveniente de uma chapinha sem vergonha, chegou cheia de si e acostumada a se
distrair com uma galinha achou que ia se criar por aqui também.
Mas aqui é Terreiro do Urubu
que por ser uma ave de rapina sempre acaba comendo nem que os restos de seus
inimigos.
Não se iludam, não foi um jogo
maravilhoso tecnicamente, o que mostra que ainda temos um longo caminho a
percorrer e quantidades enormes de calmantes à consumir.
Mas foi diferente, como
diferentes foram as duas etapas do jogo.
O primeiro tempo não foi lá essas
coisas. Os erros de passes persistiam assim como a mesmice de nossas jogadas infrutíferas
e nem a entrada de Rafinha contribuiu para sua melhora. É certo que perdemos
três chances, mas foi pouco para nossas necessidades.
A bola tratada como vadia por nós
tinha alguns momentos de paz nos pés dos “inimigo”. Eles tocavam quase todas de
primeira nos envolvendo em alguns momentos. Isso fazia de nosso sistema
defensivo um pouco mais vulnerável; o que para nós já é um pesadelo. Felipe
trabalhou mais do que o de costume e só não saímos para o repouso perdendo,
graças a São Judas Tadeu.
A parte da Nação presente fazia belissimamente a
sua parte, mas a falta de reciprocidade do bando que estava em campo a fez
esmorecer em alguns momentos. Não havia ímpeto em nosso time e o jogo se
arrastava em campo.
E aos zero um do segundo tempo,
enfim o Urubu
entra em campo e começa o jogo.
Elias em noite de gala auxiliado
por Rafinha, Paulinho e Luiz Antônio faziam quase de tudo. Os demais em nível
superior ao de costume faziam do Mais Querido o melhor em campo.
A raposa ia sendo encurralada e
se encolhia cada vez mais como um coelhinho medroso. Nossas jogadas encaixavam
como há muito não se via e passes errados tornaram-se raridade. As chances de
gol se multiplicavam e eram perdidas pelo capricho dos Deuses e a incapacidade
técnica dos de sempre.
A Mulambada continuava cumprindo uma à
uma cada uma das cláusulas no Contrato de relação única e inexplicável de Amor
e Ódio, assinado desde tenra idade com o Maior de Todos. Eram mais de 50 mil incentivando à
uma só voz, como só a Torcida do Flamengo sabe fazer.
O Templo mal modificado ainda não
nos acolhe como antes (precisamos voltar seriamente a pensar em nosso estádio),
mas mesmo reduzido, o gramado enfim tornava-se novamente o terreiro do
Majestoso Urubu
Rei.
Como em áureos tempos, ele mostrava
com naturalidade peculiar que o mata-mata é sua maior especialidade mesmo quando
craques não estão em suas fileiras.
O Manto Sagrado também fazia sua parte
munindo de personalidade e força os que o vestiam com honra e humildade em
troca de seu suor, em uma simbiose já conhecida e invejada, mas há muito não
vista.
Entretanto o tempo estava sendo
cruel. Acelerava cada vez mais rápido com uma voracidade extrema. E à partir
dos 40 minutos o nervosismo começava a tomar conta da Nação.
Aos poucos crescia em nossos
corações o sentimento de que Senhora das Injustiças ia fazer mais uma das suas
e tirar do Flamengo
a oportunidade de seguir seu caminho natural de obter vitórias quase impossíveis.
Mas aqui, “mermão”, é Flamengo
e a História está repleta de nossas conquistas obtidas sob sangue, suor e
lágrimas. Enfrentar ventos contrários em mares revoltos faz parte de nosso
cotidiano.
Se fosse para ter molezinha eu
não ia ser Flamengo.
Eram exatos 42 minutos e
quebrados que Rafinha descobriu Paulinho junto à linha de fundo e este cruzou
magistralmente para trás onde estava livre o Profeta Elias. Nosso real
artilheiro, com chute de prima meteu a gorducha, à meia altura, rente a trave
esquerda sem chances para o bom goleiro deles.
E mais uma vez fez-se a luz!
A massa de 40 milhões (e
crescendo) explodiu em êxtase transformando a noite em mais um marco importante
de nossa História.
E o Profeta então chorou.
Saudações.

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