Mulambada,
Foi preciso alguns dias para
digerir mais uma derrota.
Por mais que a história contada
nos últimos anos esteja tentando derrubar, a lei de que o bom Rubro-Negro
não se acostuma com derrotas não cairá em desuso. Não está em nosso DNA
Foram dias de reflexão que me
farão escrever menos besteira do que faria se o tentasse até 24 horas após mais
um vexame.
Foi então que decidi não escrever
sobre o jogo e sim a cerca do que está acontecendo.
Como todos vocês, estou
precisando de boas notícias. Qualquer coisa que me faça ao menos dar um leve sorriso
de canto de boca.
Não vai adiantar qualquer outro
sofrer uma tremenda goleada. Meu espírito esportivo não se alimenta do
insucesso alheio. Prefiro que todos tenham timaços e estejam bem pelas tabelas
e ter o Flamengo
melhor que todos do que vê-los sob o véu da desgraça e o Mais Querido na situação em que se
encontra. Foi assim na já distante década de 80 e também em 1992.
Estamos adentrando o gramado
sempre em número inferior ao oponente. Hora é o Leo Morto, hora é o Cárceres,
hora é o Val, Paulinho, João Paulo e assim segue nossa vida claudicante.
Há poucas semanas oscilávamos
entre empates e vitórias. Hoje definhamos tabela abaixo sob empates e derrotas.
A situação só não é pior por conta da incapacidade de outros em pior situação.
Mas isso é problema deles e eles
que os resolvam.
Nosso time “involui” a olhos
vistos, apesar dos treinamentos e sequência de jogos.
A pergunta:
“O que será que esses malas fazem
nos dias de treino?”
Já deixou de ser importante, pois
já é de conhecimento de todos que o time é ruim. Esse bando que se reúne às
quartas, sábados e/ou domingos para bater uma bolinha não sairia ileso nem
contra meu antigo time de pelada.
Lembro que no começo de minha carreira
futebolística era muito ruim de bola. Péssimo até mesmo em comparação com
muitos que hoje defendem nossas cores.
Sabe aquele cara do filme que
fica no banco o tempo todo e ninguém quer que ele entre? Esse era eu; com a
diferença de nunca fazer o gol salvador no final do filme.
Mas eu insisti. Mesmo com a falta
de apoio dos amigos eu insisti. Cheguei a ser goleiro e muito ruim também. Mas
não desisti, apenas dei um tempo devido a outros interesses. E foi assim até
que o destino me apresentou uma turma que gostava de uma peladinha.
Me convidaram.
Jogava salão as quartas e
sábados, sempre de ala esquerda, mesmo sendo destro. Eram dois dias apenas por semana
e supria a falta de técnica com raça, muita raça. Na defesa era quase intransponível
e quando apoiava o ataque, fazia muitos gols. Subia pela lateral em diagonal
para receber do ARMADOR (sim, nosso time tinha um armador) e muitas vezes de primeira,
em uma bicuda, meter a redonda lá dentro sem chances para o goleiro, qualquer que
fosse ele.
Pênalti? Nunca perdi um. E olha
que bati vários.
No início era sempre dos últimos
a ser escolhido, mas com o tempo esse número foi diminuindo até que passei a
ser o terceiro ou quarto depois apenas dos craques da turma.
“O que tem a sua história a ver
com o assunto?”
Ora meus caros e escassos
leitores, se eu consegui evoluir, e muito, diga-se de passagem, esses caras que
só fazem isso na vida e ainda recebem uma gorda mariola para tal, deveriam evoluir
com mais facilidade.
Deveriam? “PORRANENHUMA” esses
peles têm a obrigação de jogar o mínimo de futebol, senão:
“01 PEDE PRA SAIR, PORRA!”
Nosso setor defensivo até que não
é dos piores. Se segura bem até metro e meio depois do meio de campo e com a
boa ajuda do goleiro, fora alguns deslizes, pode-se dizer que daria pra sobreviver
ao fatídico 2013.
O problema é quando temos a bola
nos pés.
Vou ter de ser repetitivo se não,
não há o que escrever.
Os caras não fazem a menor ideia
do que fazer com ela. Não conseguimos acertar mais de três passes em uma mesma
jogada a não ser quando jogamos para trás após verificar o insucesso de uma tentativa
de ataque. A pobre e maltratada pelota vai voltando, voltando, voltando até
receber um chutão do goleiro.
Essa tem sido nossa segunda
jogada de ataque mais utilizada. A primeira é chegar à intermediária inimiga e
disparar cruzamentos sem direção ou lançamentos (?) sem destino.
E isso só acontece quando não
perdemos a bola e ela volta em contra ataques que só não nos são mais
vexaminosos pela inoperância dos que têm nos enfrentado
Não há jogadas de linha de fundo,
não há ultrapassagens, infiltrações ou tabelas que não sejam destruídas pela
incompetência técnica de nossos jogadores.
Esqueçam dribles, isso virou
artigo raríssimo lá no Ninho do Urubu ou em Brasília.
Em nossas não raras infrutíferas tentativas
de atacar, os laterais são uma nulidade e não temos armadores. O que temos em
seu lugar são um bom cabeça de área e um esforçado lateral.
“E nossos atacantes?”
Não podemos dizer muita coisa,
pois a bola mal chega até eles.
Mas podem ter certeza, são
capengas. Das raras bolas que chegam desperdiçam a maioria e só fazem um gol a
cada quatro ou cinco partidas. Tanto que nosso artilheiro no certame é o bom
cabeça de área citado aí em cima.
Nosso ataque não vale R$
300.000,00, nem por 90 minutos.
É muito pouco para quem deseja
sobreviver entre os 16 clubes da primeira divisão.
No jogo de sábado tivemos mais de
60% de posse de bola e nada fizemos de útil com ela. O goleiro deles nem sujou
o uniforme.
Perto dos 20 do segundo tempo já tínhamos
errado 40 passes.
Não há como se esperar alguma
coisa, nem a mediocridade, de um time que erra MUITO mais de 40 passes em
APENAS um jogo. Os jogadores podem correr muito, dar o sangue em campo que com
essa quantidade de erros não se chega a lugar nenhum.
E olha que os inimigos não
jogaram muita coisa. Ainda bem.
Há na Nação os que devem estar arrancando
as calcinhas pela cabeça de tanta irritação. Eu os entendo, mas mesmo não sendo
adepto da velha operação de caça aos culpados não consigo achar um que possa
sê-lo.
Os azuis, considerando-se a atual
situação de penúria em que nos encontramos, muito devido a muitos que hora
reclamam, trouxeram o que seria um bom meio de campo, um bom atacante, um bom
lateral e mais meia dúzia do que poderiam ser bons jogadores.
Mantiveram a garotada, expurgaram
os desagregadores e disseram em claras palavras que, devido ao resultado da
fatídica auditoria, esse seria um ano infecundo.
Os salários foram colocados em
dia e a seriedade, deveria ter voltado aos treinamentos.
Teoricamente quase tudo certo.
Como culpa-los.
A Nação estava consciente das parcas
possibilidades, mas feliz em vislumbrar que após essas medidas e com essa
hecatombe, voltar a ser respeitada mundialmente e com consistência.
Deixamos de estar na decisão do Carioca
por apenas uma derrota e no Brasileiro, para baixar custos, viemos de técnico mais
barato.
Flamengo de coração, mas ainda
inexperiente teve um início conturbado. Sem os chinelinhos, botou ordem na casa,
entretanto, por não conhecer o elenco, fez experiências em demasia.
Os resultados vinham acontecendo
inversamente ao esperado.
Mesmo com um plantel bonzinho não
poderíamos ter empatado com Santos, Atlético Paranaense, Portuguesa e Gremio ou
perdido para a Ponte Preta, Náutico, Criciúma, Bahia e São Paulo.
Não tudo isso.
Nesse meio tempo, trouxeram um
técnico dito de respeito.
“Ah! Então a culpa é do técnico!”
Dirão outros desequilibrados pela
situação.
Não posso concordar. Não há muito
que fazer com esse bando que caiu de paraquedas em suas mãos. Iniciou seu
trabalho com seriedade e sem oba, oba. Treinou dias e dias e conseguiu certa
consistência no setor defensivo. Com isso teve condições de obter em seus
primeiros jogos resultados condizentes com o que nós esperávamos. Parecia que,
com o correr dos minutos treinados e jogados, a tendência seria uma evolução
mesmo que apenas para garantir nossa permanência na elite do futebol sem
estresse.
Mas não houve consistência e a tão
esperada evolução proveniente do “dedo do Mano” não rolou.
“Ah! Se a culpa não é da
diretoria e nem do técnico, só restam os jogadores.”
Afirmarão outros perdidos.
Também discordo. Eles não têm
culpa de serem o que são.
Tiveram algum sucesso em times de
menor expressão e poderiam tê-lo aqui, vestindo o Manto, é verdade, mas não é bem
assim que a banda toca. Não é qualquer um que consegue vencer as tempestades
que rondam nossas terras. As condições climáticas nas dependências Rubro-Negras
são extremamente instáveis e não é qualquer pela-saco que tem condições de
sobreviver.
Na Gávea não há bonança, depois de uma tempestade
sempre virá outra e céu de brigadeiro aqui nada mais é do que a tentativa de
criação de um novo tipo de doce de festa.
Mesmo agora em que os ânimos se
mostram serenos e a Nação parece remar na mesma direção, sob as
coordenadas ditadas pela austeridade econômico fiscal, sentimos as gotas
caírem.
Não há como sobreviver a esse
turbilhão se o postulante a um espaço na História do Maior de Todos não tiver sido
forjado em terra de “ômi”.
Ainda mais hoje, em tempos
apológicos.
Não foram poucos os de currículo
respeitável a sucumbir sob o Manto Sagrado. Perco as contas dos artilheiros de
campeonatos regionais ou até nacionais defendendo outras cores, que nos
envergonharam. O número de bons jogadores que tremeram diante da Nação é
enorme e as promessas que só conseguiram seus 15 minutos de fama em outras
agremiações foram muitas.
Esses que aí estão são mais
alguns dos milhares que mesmo correndo ou dando sangue não são capazes de
defender nossas cores. Não é demérito, poderão ter sucesso em outras paragens, mas
aqui já está provado que não é seu lugar. O último exemplo desses peles foi um
tal de Ronaldinho Gaúcho.
E como não há dinheiro nem tempo
para mudanças só nos resta a você fazer a sua parte que é se tornar Sócio
Torcedor e com esse dinheiro ajudar aos Azuis a construir dias melhores.
E dias melhores virão, não tenho
dúvidas afinal, se outros menores estão conseguindo (certo que com muita ajuda externa)
por que o Mengão
com todo o seu poderio, não vai conseguir?
Resta apenas saber se nossos
corações aguentarão até lá. Eu faço check-up todo ano e aconselho a você fazer também.
Saudações.

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